Essa estratégia combina a produção integrada entre lavoura, pecuária e, às vezes, até de floresta, na mesma área que pode ser adaptada pelo agricultor em um período de seis anos.
Integração entre lavoura e pecuária deve prevalecer no Brasil até 2025

Adotada no Brasil há décadas, mas considerada apenas recentemente como uma referência no aumento de produtividade, a integração entre lavoura e pecuária deve prevalecer como o principal modelo de plantio no país nos próximos dez anos, indicou nesta terça-feira em entrevista à Agência Efe o diretor da Alltech para a América Latina, Roberto Bosco.
“Esses modelos desenhados não são novos em nenhum país, mas o que diferencia o Brasil é que nós o implementamos no campo. Não como teste, mas como parte importante da produção de madeira, de carne e de grãos no país”, explicou Bosco.
Essa estratégia combina a produção integrada entre lavoura, pecuária e, às vezes, até de floresta, na mesma área que pode ser adaptada pelo agricultor em um período de seis anos.
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“Nos primeiros três (anos) já é possível notar resultados e lucro para pagar o investimento feito anteriormente”, ressaltou Bosco ao detalhar o sistema, que “ajuda a intensificar uma produção agrícola mais sustentável”.
O diretor da Alltech explicou que a integração tem funcionado bem no Brasil porque o país tem grandes problemas na expansão da área agrícola, especialmente por causa das reservas e áreas de proteção natural, que não são “mitigadas” dentro da proposta.
“O sistema basicamente começa com um plantio direto, usado em 70% das áreas. Em seguida, controlamos as plantas na superfície. A palhagem que permanece protege o solo permite que outras plantas cresçam até fazer a engorda do gado e voltar com uma plantação de milho, por exemplo”, explicou.
Segundo Bosco, esse processo ajuda a controlar os minerais do solo, otimizar o uso das matérias-primas como água, além de ser mais rentável para o produtor por causa da redução de custos e do baixo investimento.
Em palestra durante o Congresso Rebelation Alltech, realizado em Lexington, no estado de Kentucky (EUA), Bosco citou a Bahia como um estado onde a integração entre a agricultura e a pecuária tem melhorado o desenvolvimento do plantio de grãos.
Com a aplicação do sistema, o diretor da Alltech demonstrou que a complementação de cultivo aumenta o número de animais por hectare, o que proporciona um crescimento na produtividade de carnes no país.
“Temos de 110 milhões de hectares de área de pastagem, menos de 30% suporta um animal por hectare, o que significa um animal por campo de futebol. Isso é um uso muito ruim. Esse sistema, então, traz correção de solo com calcário, mensura o uso de fertilizante e gera um salto de produtividade, passando a ter de três a quatro animais por hectare”, destacou.
Para o especialista, a intensificação do uso da integração no Brasil gera recursos “inexoráveis” para o produtor nos períodos de inverno e seca, fazendo com que o país tenha possibilidade de aumentar muito sua produtividade.
“É o modelo de produção que vai prevalecer nos próximos dez anos e ainda poderá ser exemplo de funcionamento para outras regiões do mundo”, finalizou.





















