Há também risco de que falte milho para as criações de porco e frango, como ocorreu em 2012.
Agropecuária catarinense terá que abrir novas portas no exterior em 2016
No balanço geral, o ano que termina foi bom para a agropecuária de Santa Catarina. Os investimentos para o plantio foram feitos com o dólar baixo e a colheita, meses depois, com o dólar em um dos patamares mais altos da história recente. A realidade será diferente em 2016. Produtores já tiveram que incorporar os custos da alta na sua produção e setores começam a ser impactados.
O que esperar da economia catarinense em 2016
É o caso do setor leiteiro, que teve um aumento de 30% no seu custeio, sem conseguir repassar esse mesmo valor para os produtos porque perderia vendas. Os números são da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e uma das possibilidades é que vários agricultores abandonem a atividade da produção de leite.
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— Mas, em suma, o agronegócio ainda é o que mais mantém sua atividade. Aqueles que se planejarem vão sobreviver e saírem fortalecidos — explica o presidente da Cidasc, Enori Barbieri.
O setor de carnes, em especial a produção de frango e suínos, conseguiu superar as dificuldades do ano mirando o mercado externo e conseguiu manter seu crescimento no valor das vendas mesmo com o cenário interno conturbado — em que a produção de ambos caiu 4,4% e 1,2%, respectivamente, entre janeiro e outubro. A consolidação em novos mercados, como o Japão (aberto em 2013) e as negociações para o início de importações pela Coreia do Sul podem ajudar a manter a expansão.
— Setor de pecuária de corte teve um dos melhores anos de sua história. Mas o El Niño atrapalhou o plantio na agricultura, que atrasou. E lógico que isso vai dar em contratempos. Só que temos expectativas positivas porque o preço deve vir a compensar isso — aposta o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo.
Mas há um alerta. O Estado pode voltar a ver uma falta de milho — usado na fabricação de ração para as criações de aves e porcos — como o problema ocorrido em 2012. A área plantada de milho no Estado foi reduzida em quase 25%, trocada pela plantação de soja.
Com isso, a importação terá que chegar à ordem de 3 milhões a 3,5 milhões de toneladas de milho para suprir toda a demanda da agroindústria, que consome mais de cinco milhões de toneladas anualmente. A mudança é motivada pela diferença de preços: enquanto a saca de soja chega a ser vendida por R$ 68, a saca de milho está custando em média R$ 29.
A recomendação da Cidasc e da Faesc entra em um consenso. Para as atividades que dependem desse insumo, vai ser importante estocar milho, em especial no primeiro semestre do ano que vem.





















