O lema da Frigo Éder é fabricar embutidos tipicamente germânicos.
A torcida animada dos embutidos
Redação (05/06/06)- O alemão Joahanes Eberl olhou para Adriano Olmeda e perguntou: “você quer mesmo fazer salsichas alemãs?” O jovem proprietário do Frigorífico Eder Santo Amaro se espantou. Perfeccionista, como se define, acreditava já seguir a risca o lema da empresa de fabricar embutidos tipicamente germânicos. “Aceitei o desafio e fui para Munique aprender”, lembra Olmeda. Eberl – mestre do conselho dos salsicheiros de Munique, a elite dos especialistas em frios e dono de uma salsicharia centenária – ensinou o caminho das pedras para que a Eder lançasse no mercado em 2001 sua linha premium de produtos. “Crescemos mil por cento em vendas desde que compramos a Eder em 1998 e saltamos de 100 para 14 mil pontos de venda no país”, diz Olmeda. As salsichas finas da empresa também devem ter um aumento de demanda este ano de 30% a 40%, em função da Copa do Mundo, embaladas pelo slogan “torcendo pelo Brasil com sabor da Alemanha.” Mas atenção: não confunda os embutidos de pele crocante e recheio encorpado da Eder com as salsichas de cachorro quente molengas do mercado. “Os produtos de hot dog cumprem sua relação custo-benefício, são acessíveis porque usam carnes menos nobres, processadas mecanicamente”, contemporiza. Um quilo das vermelhinhas desmaiadas popularmente usadas nos sanduíches custa R$ 3,50. A versão viena da Eder sai em média por R$ 12,80. A empresa se prepara ainda para abrir uma fábrica de salames hamburguês e italiano em julho, em São Caetano, com 80 funcionários e capacidade de produção de 60 toneladas/ mês. Com isso, seu portifólio chega a 150 produtos, ampliando seus domínios. Em novembro do ano passado a Eder comprou no Brasil a marca Buona Itália, fabricante italiana de mortadelas, que pertencia ao grupo Cremonini. Ficou também com o know how de produção e já planeja exportar para a matriz. A saga salsicheira da Eder começou em 1923 quando Alexandre Eder e Max Satzke abriram em Santo Amaro uma fábrica de embutidos com um compromisso em seguir receitas tradicionais alemãs. A empresa se tornou uma referência para a comunidade germânica de São Paulo. Em 1990 foi vendida para o grupo Bolsa Nacional de Empresas e comprada em 1998 pela família Olmeda, dona do frigorífico Pesarese. “Nasci numa geladeira. É preciso gostar muito deste negócio para continuar nele e manter a tradição.” Valor: Sua pretensão é ser uma potência frigorífica? Adriano Olmeda: Quero vender qualidade, não commodity. Quero ser sempre a melhor referência em cada segmento que atuar. E a Eder já é reconhecida como a melhor salsicha fina feita no país. Valor: Como convencer o consumidor a pagar mais pelo seu produto? Olmeda: É o mesmo que aconteceu com o vinho. O paladar vai evoluindo. Depois que você prova uma salsicha feita com carnes nobres, tempero natural e processo quase artesanal não quer mais uma de padrão inferior. Só o cardamomo, tempero que usamos em algumas das nossas 12 variedades de salsichas, custa R$ 120 o quilo. Isso tem um impacto no preço, mas torna o produto muito superior no paladar. O boca-a-boca funciona nesta área. Além disso, organizamos degustações com consumidores. Valor: Por que o sr. define seus produtos como étnicos? Olmeda: Quero fazer a melhor salsicha alemã no Brasil, o melhor patê de fígado de ave com tecnologia francesa no Brasil, o melhor salame e a melhor mortadela italiana fora da Itália. Quero ganhar mercado oferecendo aqui produtos de padrão internacional, para um público exigente que pode pagar menos e em reais.Leia também no Agrimídia:





















