Em 1998, a Pfizer, maior indústria farmacêutica do mundo, provocou euforia no mercado global com o lançamento do Viagra, contra a impotência masculina. Nove anos depois, a Divisão de Saúde Animal da empresa espera provocar efeito semelhante no mercado veterinário. Com uma diferença: em lugar de um estimulante, uma vacina para castração de suínos.
Pfizer fortalece atuação no segmento de suínos
Redação (18/04/07) – A castração é uma prática comum na suinocultura porque o macho que não entra na fase de cio se alimenta mais, engorda mais rapidamente e produz uma carne mais macia. Na Noruega e na Suécia, a castração cirúrgica de suínos será proibida a partir de 2009. Outros países na União Européia estudam adotar a proibição similar.
Normalmente, os criadores de suínos castra
Espanha, diretor de operações da divisão de saúde animal: vacinas importadas Leia também no Agrimídia:
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m o leitão com uma semana de vida, com bisturi e sem anestesia. A prática é considerada um maltrato por ONGs e eleva os riscos de infecções nos animais. Por isso, tende a ser extinta no longo prazo, na avaliação de Jorge Espanha, diretor de operações da divisão de saúde animal da Pfizer. A vacina – ministrada em duas doses – possui anticorpos que estimulam a produção de hormônios no animal, que passa a agir como se fosse castrado.
O produto já foi lançado nos EUA e na Europa e deve ser registrado em 25 países neste ano. No Brasil, começou a ser testado pelos principais grupos que produzem carne suína com integração de produtores, como Sadia e Perdigão. Até agora, 30 mil animais de criação no Brasil já foram castrados com a nova tecnologia. "Uma das vantagens científicas observadas é que, como o animal não é castrado, ele ganha mais musculatura e produz até 3 quilos a mais de carne por carcaça que o animal castrado", diz Angelo Melo Silva, gerente da unidade de negócios suínos e aves da Pfizer.
A empresa não divulga previsão de vendas, mas informa que a vacina será importada e o mercado potencial é de 15 milhões de cabeças por ano. Na área pecuária, a empresa também espera expandir as vendas com o lançamento de um antibiótico para doenças respiratórias. Espanha observa que o gado confinado tende a ter mais doenças respiratórias, viroses e bacterioses, enquanto o gado criado a pasto tende a adquirir mais parasitas externos. "O alastramento de doenças no gado confinado também é muito mais veloz, o que exige que os animais tenham uma ótima saúde", afirma o diretor.
Em 2006, a Pfizer Saúde Animal registrou um crescimento de 8,3% nas vendas no país, alcançando um faturamento de R$ 224 milhões. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), o mercado no mesmo período cresceu 4%, atingindo receita de R$ 2,4 bilhões. Para este ano, Pfizer Saúde Animal espera um crescimento de dois dígitos, enquanto o setor projeta uma expansão de 3% a 4%. No mundo, a empresa investe US$ 300 milhões por ano em pesquisa de novos produtos.





















