Desde o ano passado a companhia iniciou um agressivo processo de compras de terra que mexeu com a cabeça dos agricultores no TO.
Guinada da Bunge puxa transformação
Redação (03/10/2008)- A multinacional Bunge, que tem ações negociadas na bolsa de Nova York, sempre fez parte da vida de Pedro Afonso. A companhia é uma das principais compradoras da produção de soja do município e, também, uma das principais financiadoras dos agricultores, quase todos com dívidas ou dificuldades de obter crédito junto ao governo federal. Mas, desde agosto, o nome Bunge deixou de ser sinônimo apenas de soja por lá. Agora quando se fala em Bunge, a primeira coisa que vem à cabeça dos produtores de Pedro Afonso é cana e as riquezas que ela pode gerar.
Não sem razão. Desde o ano passado a companhia iniciou um agressivo processo de compras de terra que mexeu com a cabeça dos agricultores. Duas empresas desconhecidas, a Rimene e a Remata, começaram a oferecer preços polpudos pelas terras de Pedro Afonso. Em alguns meses adquiriu nada menos que 30 mil hectares na cidade, pagando algo em torno de R$ 4 mil por hectare. "A cidade entrou em alvoroço, muita gente viu ali a oportunidade de se livrar das dívidas com o governo e ainda sair com um dinheiro bom", diz o septuagenário gaúcho Sílvio Sandri, que chegou a Pedro Afonso na década de 80. Depois de quitar as dívidas, Sandri ainda amealhou R$ 1,5 mil por hectare com a venda de seus 500 hectares.
Havia uma desconfiança geral de que a Bunge estava por trás do negócio, mas a certeza só veio em agosto, após as primeiras mudas estarem plantadas e irrigadas por um moderno sistema. Segundo os produtores, a Bunge veio então a público e revelou que tanto a Rimene quanto a Ramata eram empresas suas e que os 30 mil hectares eram apenas a metade das terras que pretendia adquirir na região. Em cada metro quadrado, nada se soja. Apenas cana.
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Ao Valor, a empresa afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não faria comentários sobre eventuais investimentos em canaviais e usinas no Tocantins. Mas, na cidade, todos dizem que esses planos envolvem a construção de uma usina de produção de açúcar, etanol e co-geração de energia elétrica a partir das milhões de toneladas de cana que a empresa pretende processar em Pedro Afonso a partir da safra 2013/14. Hoje já e possível ver vastos campos que seriam semeados agora com soja tomados pela cana verde. O pequeno canavial ainda é uma mancha na imensidão de terras que estão sendo preparadas para receber a soja da próxima safra, mas em breve ele será majoritário.
Colaborará para isso se os planos da brasileira Etanalc, empresa brasileira fundada há menos de três anos pelo empresário fluminense Áureo Luiz de Castro, também colocar efetivamente em práticas seus ambiciosos planos, que incluem três usinas de etanol, açúcar e geração de energia.
Enquanto mantém mistério sobre os investimentos no Tocantins, a Bunge acelera outros projetos envolvendo açúcar e álcool. No fim de setembro, anunciou uma parceria com a japonesa Itochu para desenvolver em conjunto dois projetos sucroalcooleiros no Brasil. No total, os investimentos deverão somar US$ 800 milhões nos próximos quatro anos. A Bunge deverá aportar US$ 640 milhões e a trading Itochu, os US$ 160 milhões restantes. A primeira joint venture envolve a usina Santa Juliana, na cidade mineiro de mesmo nome.
Comprada pela múlti em setembro de 2007, a unidade tem capacidade para processar 1,6 milhão de toneladas de cana por ano. A partir dos aportes programados, o volume chegará a 4,2 milhões de toneladas. Os novos parceiros também pretendem construir, juntos, uma nova usina, em outros projeto ainda mantido em sigilo. Também em setembro, a Bunge anunciou a aquisição da usina Monte Verde, situada em Ponta Porã (MS).





















