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Milho supera soja em Mato Grosso

Pela primeira vez, embarques do cereal sustentaram performance positiva. Pauta fechou trimestre no azul .

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Milho supera soja em Mato Grosso

Patinho feio do agronegócio estadual, o milho – que até tempos atrás era inviável como commodity em Mato Grosso pelo alto custo do frete até os portos – virou de uma safra para a outra o cisne das exportações e pela primeira vez desbanca a soja e passa a ser, neste trimestre, o carro-chefe da pauta mato-grossense. Dos mais de US$ 3,46 bilhões (FOB) em receita acumulada nos últimos três meses, US$ 1,22 bilhão (FOB), ou 65%, vieram dos embarques do cereal. Nunca se exportou tanto milho – e em plena entressafra do grão – no Estado.

Apesar do ineditismo, o resultado revela algo no mínimo preocupante: estão havendo atrasos nos despachos da soja, a grande vedete do período, já que 100% da área plantada no Estado está colhido desde o final de março. Conforme dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), de janeiro a março deste ano, a receita obtida com o comércio do milho cresceu 607% em relação ao mesmo período do ano passado, ao passar de US$ 172,70 milhões para US$ 1,22 bilhão. Com a soja, o balanço é inverso. A receita gerada com os embarques recuou 28,5% no período. Passou de US$ 1,47 bilhão para US$ 1,05 bilhão.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) trouxe como destaque a análise da evolução das exportações do cereal no seu Boletim Semanal de Milho, divulgado na última segunda-feira. “As exportações de milho no primeiro trimestre do ano demonstram claramente a importância do Estado para o mercado do cereal na safra 2011/12”. No acumulado do ano o volume físico exportado somou 4,3 milhões de toneladas (t), um recorde para o período no Estado. A ocorrência desses grandes embarques foi favorecida devido à grande produção apresentada por Mato Grosso na safra passada. “Junto a isso, a baixa oferta do cereal nos principais países exportadores fez com que outros destinos não-tradicionalmente importadores de milho brasileiro passassem a buscar o grão aqui. Como exemplo temos o Japão, país que no primeiro trimestre de 2012 não realizou importações de milho mato-grossense, no entanto neste ano importou 792 mil t, tornando-se o segundo maior importador de milho do Estado”.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o acumulado das exportações de milho mato-grossense em março deste ano foi de 618 mil toneladas, equivalente a 38% do total exportado pelo Brasil no período. No comparativo com fevereiro, quando as exportações do cereal oriundo de Mato Grosso totalizaram 1,5 milhão de toneladas, o atual volume é 61% inferior. O montante registrado para março de 2012 foi de apenas 742 toneladas, o que torna o volume de março deste ano superior em 83.172%, o maior acumulado de exportações para o mês de março na história. “O primeiro trimestre de 2013 foi recorde de exportações do milho e totalizou o embarque de 4,3 milhões de toneladas, 562% maior do que no mesmo período do ano passado”, aponta o Boletim. Desde julho de 2012 foi exportado pelo Estado um volume de 12,7 milhões de toneladas, correspondente a 51% de todo o milho brasileiro exportado no período.

Alerta – Como destacam os analistas da Cadeia de Grãos, mesmo com a reverberação positiva da supersafra colhida no ano passado, que passou de 6,99 milhões de t em 2011 para mais de 15 milhões de t em 2012, para esta safra 12/13 – que está em desenvolvimento nas lavouras – o que se observa, é uma situação diferente da ocorrida na safra passada, visto que a Argentina tem apresentado boa produtividade com a colheita do cereal. “Além disso, os Estados Unidos, principais exportadores de milho, mantêm grande expectativa de plantio do cereal para a safra 13/14. Em vista disso, podemos vir a perder alguns destinos que se tornaram importantes para o Estado num cenário em que somente 22,3% da produção de milho desta safra nova está negociado”.

Trimestre – As exportações mato-grossenses fecharam o primeiro trimestre do ano com faturamento 22,26% acima do consolidado em igual período de 2012. Conforme dados do Mdic, as vendas somaram US$ 3,46 bilhões (FOB), recorde para o período, ante US$ 2,83 (FOB) bilhões faturados nos três primeiros meses do ano passado.

Mesmo positivo no acumulado, o resultado isolado de março – o segundo maior da série histórica estadual para o mês – é 9,28% inferior ao consolidado em igual mês de 2012 quando o recorde foi atingido, US$ 1,50 bilhão para atuais US$ 1,36 bilhão. A queda no vigor pode ter várias justificativas como os recordes registrados pelo Estado nos meses de janeiro e fevereiro, quando o faturamento rompeu de maneira inédita a casa do US$ 1 bilhão para cada um dos meses. Geralmente, o primeiro bilhão do ano era registrado a partir de março, justamente pelo retorno da safra de soja. Outro ponto que pode explicar o resultado atual é a ausência de grandes volumes físicos da soja na pauta, durante o período observado.

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