Setor agrícola europeu se preocupa com concorrência desleal e enfraquecimento de padrões ambientais nos tratados comerciais em negociação com Mercosul e Ucrânia
Agricultores da União Europeia temem acordos com Mercosul e Ucrânia

Agricultores franceses e espanhóis alertaram nesta quarta-feira (4) que uma enxurrada de importações sob os acordos comerciais planejados pela União Europeia com o bloco sul-americano Mercosul e a Ucrânia pode prejudicar gravemente a agricultura europeia.
As preocupações surgem antes da visita oficial do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à França e do término, na quinta-feira (5), de um acordo de livre comércio com a Ucrânia, que deverá mudar para cotas de importação.
Lula disse na terça-feira (3) que discutiria o acordo UE-Mercosul com o presidente Emmanuel Macron, um forte crítico do acordo em sua forma atual, que foi finalizado em dezembro, mas ainda precisa da aprovação dos estados-membros.
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Em uma reunião com membros do parlamento, grupos de agricultores franceses pediram a Macron que reunisse parceiros suficientes para formar uma minoria de bloqueio contra o acordo do Mercosul, que, segundo eles, seria devastador para as indústrias de carne bovina, avícola e açúcar, além de comprometer as ambições da UE em termos de soberania alimentar.
“Seria uma verdadeira tragédia para a nossa indústria”, disse Alain Carré, chefe do grupo francês da indústria açucareira AIBS. “Estamos soando o alarme.”
Agricultores franceses realizaram protestos em todo o país no ano passado contra a baixa renda, o aumento dos custos e a concorrência de importações baratas, principalmente da Ucrânia e dos países do Mercosul, exigindo termos comerciais mais justos e regulamentação mais branda.
“Nossas exigências (para um acordo UE-Mercosul) são simples: reciprocidade de regras, rastreabilidade no exterior e rotulagem muito mais clara”, disse Jean-Michel Schaeffer, chefe do grupo francês da indústria avícola Anvol.
Enquanto isso, algumas centenas de agricultores protestaram em Madri contra as importações baratas de grãos da Ucrânia e de outros países, dizendo que os preços caíram abaixo dos custos de produção.
Os agricultores espanhóis provavelmente perderão 1 bilhão de euros (US$ 1,1 bilhão) este ano, disse Javier Fatas, líder do sindicato de agricultores COAG da região de Aragão, no nordeste da Espanha.
“Isso acontece por causa dos acordos comerciais assinados pela Espanha e pela UE como parte da geopolítica, o que nos deixa com preços muito baixos para sustentar nossas fazendas”, disse Fatas.
Ele alertou que os grãos geneticamente modificados do Mercosul também criam concorrência desleal, ecoando as preocupações dos agricultores franceses.
O protesto de quarta-feira foi pacífico, mas apenas o começo, acrescentou. “Tempos ruins estão chegando.”
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Fonte: Reuters





















