Embrapa faz recomendações para avicultores sobre calor excessivo. A entidade divulgou o documento “Estresse calórico: como ocorre e o que fazer?”
Calor afeta avicultura
O calor deste início de ano afetou a avicultura de uma forma geral. Especialmente nos dias em que o excesso de consumo causou interrupções no fornecimento de energia, o índice de mortalidade cresceu e o produtor contabilizou prejuízos. Mas é possível fazer algo para evitar a morte dos frangos quando falta energia? Os pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves, empresa de pesquisa agropecuária vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tentaram responder a essa pergunta ontem. Eles elaboraram um documento com recomendações que podem ajudar o produtor.
O texto “Estresse calórico: como ocorre e o que fazer?”, escrito pelos pesquisadores Paulo Giovanni de Abreu e Valéria Maria Nascimento Abreu, está disponível na página eletrônica http://www.cnpsa.embrapa.br/calor/calor.pdf . Os pesquisadores, inicialmente, explicam como o calor atinge as aves. “Em cada idade do frango, há uma zona de conforto térmico. Para um frango adulto, por exemplo, a temperatura dentro do aviário não pode ultrapassar os 28 graus”, afirmou Valéria Abreu.
Só que muitas situações contribuem para que a temperatura suba dentro do aviário. Uma delas é a densidade, ou seja, a quantidade de frangos em cada metro quadrado. É nesta hora que entram em cena os equipamentos responsáveis por manter a temperatura dentro da zona de conforto, como ventiladores e nebulizadores. “No verão, como a temperatura externa é comumente mais alta que a interna em certos momentos do dia, os equipamentos de ventilação e resfriamento ganham maior importância ainda”, completou Valéria.
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É por isso que a interrupção da energia elétrica é tão crítica em aviários. Segundo os pesquisadores Paulo e Valéria Abreu, o ideal seria que cada avicultor possuísse um gerador próprio de energia (de óleo diesel ou conectado à tomada de força do trator). Quando não há o gerador próprio e a energia acaba, o produtor pode adotar algumas medidas para amenizar a situação. Uma delas é retirar a alimentação nos horários mais quentes e fornecê-la no período mais fresco.
Outra sugestão é renovar a água dos bebedouros, adicionando, se possível, gelo no reservatório. Em aviários climatizados é indicado o abaixamento das cortinas. No entanto, em aviários do tipo “dark house” (totalmente fechados e com controle da luminosidade), essa medida pode gerar maior estresse nas aves, causando mortalidade. Também é sempre prudente na época de verão utilizar densidade de criação (aves/m²) mais baixa que no período de inverno.
Todas essas medidas são paliativas, uma vez que os maiores cuidados devem ser tomados na implantação do aviário (tais como localização, orientação, sombreiro, beirais e telhados). “Vale ressaltar que em situações de temperaturas extremas e deficiências no sistema de climatização dificilmente essas medidas evitarão a morte dos frangos. No máximo, elas ajudarão a diminuir a mortalidade”, alertou Valéria Abreu.





















