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Máquinas Agrícolas

Sem Argentina, AGCO reduz produção

AGCO reduz produção de máquinas diante das restrições para exportar à Argentina.

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Sem Argentina, AGCO reduz produção

As medidas restritivas impostas pela Argentina à entrada de produtos brasileiros já mudaram os planos das indústrias de máquinas agrícolas para este ano. A americana AGCO, fabricante e distribuidora de equipamentos agrícolas, vai reduzir a produção no Brasil em março e abril, tradicionalmente um período de demanda aquecida.

No mês passado, não foi vendida nenhuma unidade de trator ou colheitadeira da empresa para a Argentina. Em fevereiro de 2011, foram comercializados 15 tratores. No mesmo mês de 2010, a exportação foi de 66 tratores e seis colheitadeiras. Durante todo o ano passado, foram embarcadas 421 unidades (colheitadeiras e tratores), um recuo de 77,99% na comparação com as 1.913 unidades de 2010.

Os números confirmam a situação que as montadoras que atuam no Brasil começaram a enfrentar quando as licenças de entrada no país vizinho deixaram de ser automáticas e passaram a precisar da liberação do governo. Agora, a receita federal argentina exige um documento que comprove a origem do conteúdo das máquinas e dos fornecedores.

Diante do recuo das exportações, a AGCO planeja cortar cerca de 10% de sua produção mensal total no Brasil, o que representa cerca de 100 unidades a menos em março e 150 em abril.

“Daqui a pouco vamos ter que tomar a decisão para outros meses. Se o problema na Argentina continuar, vamos ter de pisar no freio de novo”, afirma André Müller Carioba, vice-presidente sênior para América do Sul. Ele explica que não é fácil redirecionar a produção para outros mercados em virtude de determinadas especificações para a Argentina.

Os pátios da montadora mantêm em estoque 201 tratores e sete colheitadeiras que foram produzidos desde o fim do ano passado com destino à Argentina.

Sem citar números, Carioba diz que o impacto no faturamento é expressivo. Hoje, a América do Sul representa 21% do faturamento global da companhia. E a Argentina significa 10% da fatia sul-americana.

Anunciada na terça-feira, a demissão de 55 funcionários em uma fábrica de colheitadeiras em Santa Rosa, Rio Grande do Sul, tem a ver com a redução da produção diante das barreiras argentinas. Mas ela também foi motivada, segundo Carioba, pela menor demanda no Sul do país em função da seca, que impactou a safra de grãos e a comercialização de máquinas. As vendas em outras regiões não compensaram as perdas nesse mercado.

Em 2011, a ACGO anunciou a construção de uma fábrica na Argentina, que deve começar a funcionar em 2013, na região metropolitana de Buenos Aires. O valor do investimento não foi revelado. Mas o vice-presidente da companhia diz que os componentes brasileiros usados na linha de montagem de tratores da marca AGCO Allis também estão sendo barrados. Carioba argumenta que existe uma demanda reprimida na Argentina.

Muitas empresas no país vizinho não estão capitalizadas para a produção de tratores e colheitadeiras. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), algumas indústrias que anunciaram investimentos na Argentina devem trocar os componentes brasileiros da linha de montagem por produtos locais ainda neste ano.

Segundo Milton Rego, diretor da Anfavea, a capacidade de exportação das indústrias instaladas no Brasil está diminuindo. Além do custo de produção, o câmbio desfavorável tira a competitividade das exportações para outros mercados fora do Mercosul. Daí a importância da Argentina, que representa dois terços do mercado do bloco para as exportações brasileiras. Em 2010, o vizinho absorveu 58,7% das unidades vendidas pelo Brasil para países da região.

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