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Agroindústrias

Integração de ativos da BRF pela Marfrig na etapa final

David Palfenier, CEO da Seara Brasil: empresa teria de investir “centenas de milhões de reais” para fazer frente à demanda se não fosse a troca de ativos.

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Integração de ativos da BRF pela Marfrig na etapa final

Quase dois meses após assumir as primeiras unidades previstas no acordo de troca de ativos com a BRF – Brasil Foods, a Marfrig começou a capturar um potencial até então represado de sua principal divisão no país, a Seara Brasil, num processo que pode agregar até R$ 1,7 bilhão por ano ao seu faturamento. À espera da nova capacidade produtiva desde o fim do ano passado, quando o acordo com a BRF foi anunciado, a empresa já atingiu a capacidade máxima de produção de pizzas e presuntos.

“Estava no limite da minha capacidade de produção há vários meses”, disse ao Valor o CEO da Seara Brasil, David Palfenier. Segundo ele, a empresa teria de investir “centenas de milhões de reais” para fazer frente à demanda pelos produtos da marca Seara não fosse a troca de ativos, que já entrou em sua etapa final.

Depois de receber três fábricas em junho e outras cinco no início deste mês, a Seara Brasil assume amanhã as duas últimas fábricas previstas no acordo. As dez unidades integram o conjunto de ativos – que incluem ainda oito centros de distribuição e 13 marcas – que a BRF precisou vender para que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizasse sua criação, fruto da incorporação da Sadia pela Perdigão, em 2009. “Você sempre espera uma grande falha numa operação dessa magnitude, mas as fábricas estão entrando muito bem, ainda que uma máquina ou outra precise de ajuste”, afirmou o executivo.

Um dos casos mais emblemáticos para a Seara é a produção de pizza. Fabricada por terceiros até então, a empresa agora produz 900 toneladas de pizza por mês, capacidade máxima da fábrica de Lajes (SC). “Nós já produzimos mais do que a BRF fazia quando assumimos a fábrica”, revela o executivo. Antes da incorporação da unidade catarinense, a Seara comprava cerca de 100 toneladas por mês. A troca de ativos permitiu que a Seara mantivesse a produção da marca Rezende, que pertencia à BRF, em torno de 200 toneladas por mês, e ampliasse a produção com a marca Seara para 700 toneladas.
 
Palfenier destaca, ainda, os bons resultados da produção de presunto, que também já opera com capacidade máxima em Carambeí (PR), onde a Seara assumiu as operações julho. “O mercado de presunto absorve toda nossa produção”, diz ele. A unidade de Carambeí tem capacidade para produzir cerca de 26 mil toneladas de presunto por ano. No caso do presunto, o acordo com a BRF prevê, ainda, a instalação de uma nova linha de produção, com capacidade para 30 mil toneladas, em local a ser definido.

Com as fábricas que serão assumidas amanhã, a Seara Brasil mais que dobrará de capacidade, passando das 34,3 mil toneladas anteriores à incorporação dos novos ativos para 72,3 mil toneladas. A Seara elevará sua capacidade diária de abate de frangos de 2,5 milhões para 3 milhões, e a de suínos de 11,2 mil toneladas para 13,7 mil toneladas. “Entendemos que os ativos da BRF podem acrescer R$ 1,7 bilhão ao faturamento”, diz o executivo.

Em 2011, a Seara Foods, divisão que inclui a Seara Brasil, registrou receita líquida de R$ 14,2 bilhões. A Seara Brasil é responsável por 60% desse faturamento. Ao todo, a Marfrig apurou uma receita líquida de R$ 21,8 bilhões no ano passado. Se conseguir atingir as melhores expectativa, a companhia ampliará sua fatia no mercado de industrializados de carne de 9% para 21%.

Além de ganhar musculatura, a empresa fortalecerá sua estratégia de crescimento em alimentos processados, de maior valor agregado. Segundo Palfenier, os ativos comprados da BRF ampliam a participação dos processados no faturamento da empresa, passando de 52% para 63%. “É um segmento menos sujeito às oscilações da commodities e que traz margens melhores”, afirma.

Os novos ativos também auxiliarão na recuperação de impostos. Isso porque 95% do volume produzido na estrutura da BRF é destinado ao mercado interno. Com isso, a empresa poderá monetizar os créditos tributários gerados nas exportações, uma das dificuldades da Marfrig no primeiro trimestre deste ano. “No mínimo, vamos deixar de acumular crédito fiscal”, diz Palfenier. Entre janeiro e março, a Marfrig ampliou em R$ 145 milhões o montante de impostos a recuperar, para R$ 2,3 bilhões.

Além do fortalecimento da própria marca Seara, que “será a grande beneficiada”, a companhia pretende ampliar o raio de atuação das 13 marcas até então geridas pela BRF – amanhã, a Marfrig também assumirá a gestão das marcas Texas, Tekitos, Patitas, Escolha Saudável, Light Ellegant, Fiesta, Freski, Doriana e Delicata. “Algumas marcas vão ganhar uma dimensão bem maior do que na BRF”, afirma Palfenier, citando as marcas Escolha Saudável, Rezende, Confiança e Fiesta.

Com a transferência de todas as marcas e fábricas previstas, a restará o oitavo e último centro de distribuição, que deve passar às mãos da Marfrig em novembro.

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