Empresa considera valorização do dólar “estruturalmente benéfica”.
Câmbio mudou de patamar, diz BRF

Apesar do impacto negativo sobre as dívidas em dólar das empresas brasileiras, o forte movimento de desvalorização do real diante da moeda americana também é visto com bons olhos pela BRF, a principal exportadora de carnes de frango e suína do Brasil.
Segundo o diretor de finanças e relações com investidores da BRF, Elcio Ito, a valorização de R$ 0,20 do dólar no segundo trimestre é “bastante relevante” e “estruturalmente benéfica” para a companhia. Ele reconhece, no entanto, que explicar as mudanças abruptas na taxa de câmbio ao investidor é uma tarefa difícil.
“Temos dificuldade para explicar o fluxo favorável [para as exportações] e ao mesmo tempo o impacto para a dívida em dólar”, afirmou ontem o executivo, durante debate no 15º Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, promovido pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), realizado na capital paulista.
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Na avaliação de Ito, há uma clara mudança de patamar da taxa de câmbio do país, ainda que ninguém saiba dizer qual será a ‘nova’ cotação média do dólar. Segundo ele, a moeda americana não voltará a ser negociada no patamar de R$ 2. A razão para isso, diz o executivo da BRF, é que a retirada dos estímulos monetários do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) induz uma saída de dólares do Brasil. Adicionalmente, argumenta Ito, os fundamentos macroenômicos brasileiros apontam deterioração da conta corrente, o que também contribuiu para a depreciação da moeda brasileira.
Também presente no debate, o diretor de relações com investidores da JBS, Jeremiah O’Callaghan, afirmou que a valorização do dólar deve ter um efeito positivo sobre a margem da empresa. “Para quem é grande exportador, a variação cambial tem sido positiva”, afirmou ele.
A avaliação do executivo da JBS é compartilha pela área de alimentos e bebidas do Bradesco BBI. Em relatório assinado pelo analista Gabriel Lima, a instituição calcula que o lucro antes de juros, impostos, depreciação, impostos e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da JBS aumente 8% para cada 10% de desvalorização do real.





















