Com a aquisição, o market share da Minerva nas exportações uruguaias deve subir para 18%, atrás apenas de seu concorrente brasileiro Marfrig Global Foods naquele país.
Aquisição da Minerva no Uruguai é movimento positivo em mercado-chave, diz analista

A Minerva Foods, terceira maior processadora de carne bovina no Brasil e segunda em exportações, vai se tornar o segundo maior exportador de carne bovina no Uruguai depois de chegar a um acordo para adquirir o processador Matadero Carrasco SA por US$ 37 milhões, informou a empresa nesta terça-feira (18).
Com a aquisição, o market share da Minerva nas exportações uruguaias deve subir para 18%, atrás apenas de seu concorrente brasileiro Marfrig Global Foods naquele país.
A Minerva vai pagar R$ 17 milhões em dinheiro imediatamente , mais US$ 10 milhões a serem pagos até 30 de abril de 2015 e mais US$ 10 milhões a serem pagos por meio de 1,7 milhão de ações, que serão transferidas ao longo do período de um ano e ativadas em três anos, a partir de abril de 2015.
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Isso é equivalente a US$ 41 mil por cabeça, dentro da média de US$ 35 mil a US$ 50 mil por cabeça pagos em acordos recentes na América do Sul, disse Catarina Gervai Pedrosa, analista do Banco Espírito Santo de Investimento SA (Besi).
A Matadero Carrasco tem uma única planta em Montevidéu, com capacidade de abate e desossa de 900 cabeças por dia, e gerou uma receita de US$ 140 milhões em 2013, com dois terços desta receita provenientes de exportações, de acordo com a Minerva.
A Minerva tem atualmente um frigorífico de carne bovina na cidade uruguaia de Pul. Com a aquisição da Carrasco, sua capacidade de abate diária no país chegará a 2.400 cabeças.
Uma melhoria de 20% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) é possível para as operações uruguaias da Minerva por intermédio de futuras sinergias, previu a empresa, o que deve ocorrer na administração, compra de gado e canais de distribuição.
O frigorífico brasileiro exporta atualmente de Pul para a União Europeia, China, Israel e os EUA. A planta em Carrasco vai permitir à Minerva exportar para a Coreia do Sul e para os mercados do Nafta, bem como aumentar seu volume de vendas para outros mercados estabelecidos.
A aquisição é considerada um movimento inteligente por parte da Minerva, disse Catarina Pedrosa, do Besi, em um relatório na quarta-feira (19). O custo do gado no Uruguai é atualmente semelhante ao Brasil, mas espera-se redução, como o país vizinho se move em uma tendência de baixa do ciclo do gado com base no número de bezerros nascidos nos últimos dois anos, notou.
O Uruguai é o décimo quinto maior produtor mundial de carne bovina e o sexto maior exportador, e vende carne bovina para mais de 40 países, alguns dos quais o Brasil não tem acesso, como Estados Unidos e Canadá. A oferta de gado do país é estimada em 11 milhões de cabeças, e abateu 2,23 milhões de cabeças em 2013.
“Por fim, mas talvez o mais importante, é o fato de que o Uruguai pode exportar carne bovina para os EUA, que paga um prêmio para a carne bovina”, disse Catarina. “A demanda chinesa por carne uruguaia tem aumentado desde novembro de 2012.”
A Minerva tem sido ativa em aquisições desde o ano passado. Em novembro de 2013, a empresa adquiriu duas unidades de abate e desossa de carne bovina da BRF em Mato Grosso e, recentemente, em fevereiro, adquiriu uma planta em Minas Gerais da Kaiowa, via leilão público.
A empresa possui uma capacidade diária de abate de 11.480 cabeças, e opera 11 plantas de abate e desossa, uma de alimentos processados e 12 centros de distribuição em seis estados brasileiros, Paraguai e Uruguai.
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