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Sustentabilidade terá peso maior em negociações

O mercado mundial de carnes vive um período de grandes mudanças. Os casos de Peste Suína Africana (PSA) – e a gigantesca perda de plantel no país, o maior produtor e consumidor de carne suína – elevaram o frango à posição de proteína animal mais consumida em todo o mundo, consolidando uma situação que já flertava há alguns anos.
Com uma demanda aquecida pela menor disponibilidade interna de carnes, as importações chinesas transformaram o país no principal cliente brasileiro, seja em produtos suínos, bovinos ou de frango. O setor inclusive tem andado preocupado com uma situação prolongada de dependência das compras da China, já que passado este período crítico, a produção local tende a retomar o seu ritmo normal. O que poderia levar a um aumento de oferta no mercado doméstico brasileiro, caso sejam feitos investimentos em ampliação da produção sem um planejamento adequado.
O fato é que as atuais “facilidades” para as vendas direcionadas ao mercado chinês, bem menos exigente do que a União Europeia, por exemplo, pode levar uma espécie de acomodação. É preciso manter o foco na abertura de novos mercados, na agregação de valor e no atendimento a demandas por sustentabilidade. Mesmo a China, passada a atual situação, tende a tornar questões ambientais importantes em seus acordos de importação.
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Estes aspectos ganharão um peso maior em qualquer negociação internacional. E o Brasil, frente à episódios como as queimadas na Amazônia e outros, está com sua imagem ambiental arranhada, com reflexos diretos sobre o agronegócio.
Mesmo no acordo comercial Mercosul-UE, que ainda depende da ratificação de todos os parlamentos dos países membros de ambos os blocos econômicos, tem uma discussão difícil em relação às questões de sustentabilidade, que envolvem aspectos econômicos, sociais e ambientais. Este cenário deve tornar mais lento o avanço nas ratificações. Havia uma expectativa de que o fechamento deste acordo colaborasse com o avanço de outras negociações, principalmente envolvendo o Sudeste Asiático. No entanto, o receio da competitividade do agronegócio do país tem travado estas conversas. As mais viáveis no atual cenário seriam com Canadá e Coreia do Sul, conforme destaca o especialista em comércio internacional Marcos Jank em matéria nesta edição. Confira.
Uma boa leitura!
Humberto Luis Marques





















