Adições à carteira de produtos garantem vantagens à Cobb. John Hardiman assumiu novo cargo de superintendente científico na empresa.
Redução do custo de genotipagem é a chave para o futuro progresso
O John Hardiman, Vice-Presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Cobb, há 24 anos, assume novo cargo de superintendente científico. Em entrevista, ele discorre sobre o progresso genético dos produtos Cobb e sobre o impacto que a genômica começa a mostrar.
John, vamos começar pelas raças, de forma individual. Desde que entrou na Cobb, viu a Cobb500 tornar-se a matriz de corte mais vendida no mundo. Em sua opinião, qual é a razão desse sucesso?
Do ponto de vista genético, acredito que esse sucesso deve-se em parte ao enfoque que a Cobb dá ao melhoramento da eficiência e da uniformidade dessa ave de alto rendimento. Por exemplo, o frango Cobb hoje apresenta conversão alimentar 0,40 melhor, é 0,9 kg mais pesado à mesma idade e apresenta rendimento de carne de peito 6% mais alto do que há 20 anos. Entretanto, sem o investimento contínuo nas instalações de pesquisa e desenvolvimento, e sem a nossa estrutura de assistência técnica e de vendas, esse sucesso não teria sido possível.
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Os clientes só observam os resultados desse trabalho vários anos após as decisões sobre uma determinada raça serem tomadas? Quais as vantagens que o cliente poderá notar no curto prazo?
Acredito que, durante a próxima década, nossos clientes poderão gozar de melhorias tanto do ponto de vista econômico como relativas ao bem-estar animal. Nos próximos cinco anos, a Cobb500 ficará ainda melhor em termos de produção de ovos, eclodibilidade, peso, rendimento de carne de peito, conversão alimentar e viabilidade – até 5 ovos a mais, 1% de aumento na eclodibilidade, 230g no peso, 2% em rendimento, 0,15 em conversão alimentar e 1% em viabilidade. Nossos clientes também verão melhorias similares nos outros produtos da Cobb, em maior ou menor escala. Mantivemos uma boa variação genética em relação a cada um desses traços nas nossas linhas de pedigree, e novas tecnologias nos permitirão fazer uma seleção ainda mais precisa e obter avanços mais rápidos no melhoramento tanto das linhas de pedigree como nas linhas experimentais. Nosso objetivo sempre foi sermos líder na tecnologia de seleção. Desenvolvemos uma nova ferramenta de seleção a cada dois anos, em média. No entanto, ficamos impedidos de anunciar todas essas novas tecnologias de seleção, pois é preciso proteger determinados avanços tecnológicos.
Achávamos que a Cobb500 era uma raça para todos os mercados. No entanto, notamos recentemente que a carteira de produtos da Cobb se expandiu e novas linhas foram incluídas. Nos anos que virão que porções do mercado continuarão a concentrar-se na Cobb500?
Diferentes segmentos surgiram no mercado mundial, à medida que as empresas passaram a fornecer produtos diferenciados aos seus clientes, e conforme aumenta a demanda por produtos processados e alimentos semi-prontos, do tipo convenience food. Reconhecemos cerca de quatro segmentos, sendo que o maior deles se concentra no custo e na eficiência, resultantes, em grande parte, de boa conversão alimentar. Esse segmento é bem servido pela Cobb500 e ainda preenche a maior parte do mercado como um todo. Estima-se que a mudança de enfoque para produtos desossados, de alto rendimento, ocorra devagar, aumentando o segmento de alto rendimento, enquanto mercados já mais desenvolvidos procuram um melhor desempenho das aves e custo, aumentando o segmento da eficiência e possíveis vendas da Cobb500.
O principal lançamento nos últimos anos foi a Cobb700, que apresenta maior rendimento de carne de peito. Qual é a diferença entre a Cobb700 e a Cobb500 atualmente?
A Cobb700 foi desenvolvida para atender às necessidades do mercado de aves grandes/de alto rendimento, em que o altíssimo rendimento de carne de peito desossado é essencial. A Cobb700 apresentará rendimento no mínimo 1% mais alto do que o já alto rendimento da Cobb500, com taxa de conversão alimentar semelhante. A Cobb700 apresenta crescimento levemente mais lento, que propicia melhor viabililidade para aves pesadas. A produção de ovos é menor que a da Cobb500; porém, essa diferença é mais do que compensada pelo rendimento de carne de peito adicional.
Quais melhorias podemos esperar para a Cobb700 nos próximos anos?
A principal diferença no desempenho genético será em relação ao rendimento de carne de peito, que fará com que a diferença entre a Cobb500 e a Cobb700 aumente em 2% ou mais. A viabilidade dos frangos de corte também deverá aumentar em cerca de 1%, ao passo que a produção de ovos deverá continuar aumentando em um ovo por ano.
Há, também, a CobbAvian48, cujo equilíbrio entre uma boa matriz e frangos de corte com desempenho competitivo traz benefícios para o mercado de aves vivas, aves inteiras e em partes. Como estão desenvolvendo essa raça para conquistar talvez uma maior fatia do mercado?
Os avanços genéticos na CobbAvian48 serão, em essência, idênticos aos da Cobb500, com exceção da produção de ovos e rendimento de carne de peito. Nos próximos cinco anos, a produção de ovos da CobbAvian48 irá aumentar em um pouco mais de 5 ovos, enquanto que o rendimento de carne de peito será 1,5% maior. A ênfase, portanto, será em produzir um frango de corte bastante competitivo, com maior produção de ovos e pintos do que a Cobb500.
Para os próximos cinco anos, esperamos melhoramentos genéticos semelhantes aos da Cobb500 – cerca de 15 pontos na taxa de conversão alimentar, com metas de peso e melhorias na conversão alimentar praticamente idênticas. Caso você utilize a CobbAvian48, e esteja receoso de que a raça não irá acompanhar a Cobb500, isso não vai ocorrer. Todos os programas visam garantir a “marca registrada” da Cobb em relação a crescimento e excelente conversão alimentar e, somente a partir daí, aumentamos a pressão de seleção quanto à produção de ovos ou ao rendimento. Nossos clientes não aceitariam nada menos que isso!
Recentemente, houve publicidade relacionada a um produto especial, em conjunto com a Sasso, e a aquisição das linhas Kabir. Quais são as descobertas até agora? A Cobb dedicará mais recursos a esse trabalho no futuro?
Nossa parceria comercial com a Sasso nos permitiu desenvolver e oferecer um produto “diferenciado” para os clientes que buscavam aves de corte de crescimento mais lento, com maior viabilidade, com empenamento colorido. Sim, estamos empolgados com a expectativa de desenvolver outros produtos com a Sasso a fim de cobrir uma gama ainda maior de aves coloridas, de crescimento mais lento, para venda na Europa e outras partes do mundo. De fato, as linhas que a Cobb adquiriu durante a compra da Hybro e da Kabir adicionaram 20 linhas de aves coloridas para o desenvolvimento de futuros produtos alternativos. Estamos realizando pesquisas relacionadas à resistência a enfermidades em várias dessas linhas de aves coloridas, e acreditamos que identificaremos as linhas e, finalmente, os marcadores genéticos associados a essa resistência.
Será fácil fazer a transferência desses genes para as principais linhas da Cobb?
Se formos capazes de identificar os marcadores genéticos associados a esses traços de viabilidade, sua posterior introdução – ou, empregando o termo tecnicamente correto, introgressão – nas outras linhas da Cobb não seria um processo difícil. Se descobrirmos que uma determinada linha de aves coloridas apresenta uma maior resistência à doença ‘x’, procuraremos fazer a genotipagem dessas aves para descobrir os marcadores genéticos associados a essa resistência. Essa não é uma tarefa simples – levará de três a cinco anos para encontrar o marcador – porém, uma vez que isso for feito, será possível cruzar as linhas de forma natural e selecionar os animais que sejam iguais à linha original e que apresentem os marcadores genéticos para a resistência à doença. E fazendo o retrocruzamento, por exemplo com a linha Cobb500, inúmeras vezes, obtemos aves 99 por cento Cobb500, porém com o novo gene – um processo totalmente natural que levará cerca de oito a dez anos.
Vamos abordar agora um assunto mais abrangente, como o programa conjunto de pesquisas genômicas envolvendo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a Hendrix Genetics e várias instituições acadêmicas importantes. Esse programa está em andamento há mais de um ano. Quais progressos já podem ser relatados?
Esse amplo programa de seleção de genoma, parcialmente financiado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, propiciou à Cobb e à Hendrix Genetics uma oportunidade sem precedentes de testar o emprego de um grande número de marcadores genéticos na seleção avícola. Esse trabalho exigiu a criação de um chip especial 60K SNP (polimorfismo nucleotídico simples). Tanto a Cobb como a Hendrix Genetics vem fazendo seleções experimentais utilizando essa tecnologia em várias linhas comerciais, e estamos, agora, analisando a primeira geração de resultados. Esperamos poder fazer seleções mais precisas e, assim, obter avanços genéticos mais rápidos para nossos clientes.
Algum dos resultados obtidos até agora o surpreendeu?
Sim, os resultados preliminares da pesquisa indicam que poderemos selecionar características indesejáveis, transmitidas geneticamente, relacionadas ao bem-estar animal, tais como defeitos nas pernas, de forma mais eficiente através desse método. Sabemos que qualquer mudança em um único nucleotídeo do DNA pode ser significativa e, em nossas pesquisas, começamos com meio milhão de SNPs, estudando-os em cada uma de nossas linhas procurando encontrar os que apresentam diferenças. Então, aplicamos uma série de testes para descobrir se essas diferenças seriam polimorfismos favoráveis a serem inseridos no novo chip, e dentro de alguns anos começaremos a fazer associações com diferentes características.
O processo inclui a coleta de uma amostra de sangue, da mesma forma que fazemos para fazer exames de rotina – as células do sangue são repletas de DNA – extrai-se o DNA, multiplica-se este DNA através do processo de RCP (reação da polimerase em cadeia) e coloca-se esse DNA no chip, onde poderá ser devidamente lido e os dados são enviados aos arquivos de computador. É preciso dispor de um dispositivo especial de leitura que indicará para quais dos marcadores SNP o animal apresenta resultado positivo. Todo esse processo requer uma série de programas bastante complexos para realizar a prospecção dos dados (data mining) e encontrar associações entre possíveis marcadores, uma vez que os genes muito raramente atuam de forma individual, e sim em conjunto com outros genes.
Quanto o mercado poderá ver os benefícios do investimento nessa pesquisa conjunta?
Os participantes do consórcio de pesquisa estão trabalhando com afinco para atender aos requisitos teóricos, analíticos de tecnologia de informação deste novo método de seleção. O desenvolvimento dos programas de interpretação e análise deste enorme volume de dados provavelmente irá levar mais dois a três anos. Além disso, o custo do processamento e da genotipagem de cada animal ainda é muito alto, e será preciso reduzi-lo. O número de marcadores genéticos de fato utilizados para testar cada animal terá também que ser simplificado, a fim de que essa tecnologia torne-se viável no futuro próximo.
O custo dos testes pode chegar a 150 dólares por animal. Compare esse valor ao custo de um pinto de um dia de idade! No entanto, temos boas razões para acreditar que, a cada ano, o custo da genotipagem de animais irá diminuir, como resultado de melhorias nos processos de automação e técnicas. Portanto, creio que o custo será reduzido ao ponto em que será possível testar uma parte razoável de nossas linhas. Não tenho certeza se o faremos em todas as aves, mas seremos capazes de aumentar o número de aves testadas a cada ano, o que levará a resultados cada vez mais precisos. O sistema também possui um excelente mecanismo de feedback – quanto mais o usamos, mais aprendemos. De fato, nunca paramos de fazer a fenotipagem e as medições, e estamos constantemente nos testando e aprendendo coisas novas. A chave será a redução do custo da genotipagem… além de não abandonar o velho processo de fenotipagem, mas sim combiná-lo ao novo processo de genotipagem.





















