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Novartis planeja construir fábrica de vacinas em Pernambuco

Empresa quer transferir tecnologia e reforçar a pesquisa de produtos para doenças tropicais, diz Joe Jimenez, CEO global da empresa suíça.

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Na busca por novos mercados para expandir seus negócios fora do eixo Estados Unidos-Europa, a farmacêutica suíça Novartis decidiu reforçar suas apostas no Brasil. Em entrevista ao Valor, Joe Jimenez, principal executivo global da companhia, disse que o grupo tem grandes planos para o país. “O Brasil é um dos principais países para investimento para a Novartis. A economia está crescendo e vemos o maior acesso da classe média à saúde”, afirmou Jimenez, em entrevista por telefone. O executivo contou que assinou, no fim de novembro, uma carta de intenções com o Ministério da Saúde, selando uma importante parceria entre a companhia e governo brasileiro.

Os planos da Novartis para o Brasil incluem a construção de uma fábrica de biotecnologia para a produção de vacinas em Pernambuco, em um aporte estimado entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões, segundo Jimenez. A parceria também prevê a transferência de tecnologia para a produção de medicamentos nas áreas de oncologia, transplantes e neurociência. A Novartis vai reforçar pesquisas no desenvolvimento de produtos para as chamadas doenças tropicais, como dengue e Chagas, além de ampliar seu programa de combate à hanseníase no país.

Jimenez observou que o país tem hoje cerca de 10 mil pacientes atingidos por doença de Chagas e um milhão de pessoas afetadas pela Dengue. “Desenvolvemos pesquisas para novas terapias para essas doenças em nosso Instituto Novartis, em Cingapura, e temos interesse em estabelecer parcerias com entidades governamentais e instituições acadêmicas locais.” A companhia também poderá reforçar os programas do governo para o combate a diabetes e hipertensão. “Tivemos um feedback positivo do governo, uma vez que pretendemos desenvolver medicamentos importantes para o Brasil.”

A intenção de construir a nova fábrica de vacinas no Brasil já tinha sido anunciada há quatro anos pelo grupo, mas a crise financeira global esfriou os ânimos de grandes companhias em colocar em prática seus grandes investimentos. Originalmente, os aportes previstos eram de US$ 300 milhões, mas esse projeto foi redimensionado, podendo alcançar até US$ 500 milhões. Em uma primeira etapa, essa unidade produzirá três antígenos de proteínas recombinantes que constituem uma vacina inovadora da farmacêutica contra a meningite B. Os planos para o futuro incluem a produção de vacinas que ainda estão em fase de pesquisa e exportação a partir dessa nova unidade. “Essa fábrica deverá entrar em operação a partir de 2014”, afirmou.

Desde 1937 no país, a multinacional possui uma fábrica em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, outra em Rezende (RJ) para síntese química (única estrangeira que sintetiza matéria-prima farmacêutica no país) e outra em Cambé (PR), controlada pela Sandoz, braço de medicamentos genéricos do laboratório suíço.

As aquisições estão no radar do grupo, mas este não é o melhor momento para compras no país, disse Jimenez. “O Brasil é um mercado atraente para aquisições. Mas o mercado brasileiro se tornou caro porque a demanda está crescendo. Se tivermos oportunidade, faremos sim.”

Em um período que a maioria das farmacêuticas está reduzindo seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento – em parte porque o “pipeline” de novos medicamentos está limitado e também em razão da crise financeira, que freia o crescimento em mercado mais maduros -, grandes companhias decidiram voltar-se para os emergentes, com crescimento mais robusto da economia. “Quando olhamos a classe média brasileira e o maior acesso a medicamentos, o país pode ser significante. Vejo esse mercado se desenvolvendo bem nos próximos cinco a dez anos”, afirmou. Além do Brasil, a Novartis também está reforçando suas apostas na China e Rússia.

Com faturamento líquido de US$ 50,6 bilhões em 2010, a Novartis, resultado da megafusão das suíças Ciba-Geigy e Sandoz em 1996, investe cerca de 20% de sua receita em P&D. A empresa conta com cinco importantes divisões de negócios – farmacêutica, Alcon (de produtos oftalmológicos), genéricos, vacinas e Consumer Healthcare, que inclui a saúde animal.

O braço de genéricos do grupo também vai buscar oportunidades para prover a produção de medicamentos biossimilares de alta qualidade no país, de acordo com a carta de intenções entre a companhia e o governo. O mercado de genéricos no país é de extrema importância para o grupo, que ainda não tem uma participação polpuda nesse negócio no Brasil.

Jimenez, que está no comando da companhia desde o início de 2010, substituiu Daniel Vasella, que está no conselho de administração da companhia e é considerado um “papa” do mercado farmacêutico global. Na Novartis desde 2007, o executivo americano dedicou boa parte de sua carreira nas fabricantes americanas de alimentos H.J. Heinz e ConAgra Foods e na empresa de produtos de limpeza Clorox, também dos Estados Unidos.

Relativamente novo no setor, Jimenez está à frente de uma das maiores farmacêuticas mundiais e com enorme desafio pela frente – a companhia está para perder a patente de um dos seus principais “blockbusters” (campeões de venda) nos EUA, o Diovan. Para Jimenez, uma das principais diferenças entre conduzir um laboratório e uma empresa de alimentos é o timing do desenvolvimento de produtos. “Nas farmacêuticas, o período de desenvolvimento de uma droga toma de sete a oito anos. Em uma empresa de consumo, o produto pode ser desenvolvido de 12 a 18 meses. A indústria de consumo move-se muito rapidamente. A de farmácia é mais lenta.”

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