Entenda o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar e suas metas para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas
Grupo Pão de Açúcar pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas

O Grupo Pão de Açúcar (GPA – PCAR3) protocolou pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais. A notícia repercutiu no mercado financeiro e, por volta das 10h25 desta terça-feira (10), as ações da companhia registravam queda de 6,96%, cotadas a R$ 2,54.
Segundo o presidente da empresa, Alexandre Santoro, a proposta já conta com adesão de 46% dos credores. De acordo com fato relevante divulgado pela companhia, o plano envolve obrigações financeiras sem garantia, que não estão relacionadas a compromissos operacionais do negócio.
Empresa afirma que operação continuará normalmente
Santoro, que assumiu o comando da empresa há cerca de dois meses, afirmou que a iniciativa faz parte de um processo de reorganização financeira sem impacto na operação cotidiana da companhia.
Leia também no Agrimídia:
- •Master Agroindustrial anuncia R$ 250 milhões em investimentos para expansão da suinocultura com produtores integrados
- •Fávaro destaca parceria entre Mapa e Sebrae para fortalecer agroindústrias e produtores rurais
- •Justiça do Trabalho aplica multa de R$ 10 milhões à JBS por jornadas exaustivas em Mato Grosso
- •Laboratório da AB Vista no Reino Unido obtém ISO/ IEC 17205 e valida análises com padrão internacional
De acordo com o executivo, a recuperação extrajudicial não envolve pagamentos a fornecedores, aluguéis de lojas ou salários de funcionários, garantindo a continuidade das atividades comerciais.
A decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, composto por acionistas que representam cerca de 70% das ações da companhia.
Parte da dívida possui vencimentos de curto prazo
O diretor financeiro do GPA, Pedro Albuquerque, informou que parte do passivo incluído na negociação possui vencimentos próximos. Segundo ele, cerca de R$ 500 milhões vencem em maio, enquanto entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão têm prazo de pagamento previsto para julho.
O executivo ressaltou que passivos trabalhistas e tributários não fazem parte da recuperação extrajudicial, permanecendo em tratamento separado pela empresa.
Albuquerque também destacou que a medida não está relacionada a discussões anteriores envolvendo a operação do Assaí.
Prazo de 90 dias para negociação com credores
Com o protocolo do pedido, o GPA passa a ter 90 dias para concluir as negociações com os credores, período durante o qual as obrigações com os credores envolvidos ficam suspensas.
Para que o plano seja homologado, é necessário obter apoio de mais de 50% dos credores.
Endividamento cresceu em 2025
No último balanço divulgado pela companhia, a dívida líquida, incluindo recebíveis de cartão de crédito não antecipados, somava R$ 2 bilhões ao final de 2025. O valor representa aumento de R$ 729 milhões em relação ao registrado no final de 2024.
Além do processo de renegociação das dívidas, o GPA convocou uma assembleia de acionistas para 27 de março, na qual será discutida, entre outros pontos, a possível retirada da cláusula de proteção conhecida como poison pill, mecanismo que pode facilitar um eventual aumento de capital pelos acionistas de referência sem a necessidade de disparar uma oferta pública de aquisição.
Mercado reage com cautela e analistas projetam volatilidade
O JPMorgan destacou que as ações da companhia seguem negociadas a cerca de 5,4 vezes o múltiplo EV/Ebitda, mantendo recomendação underweight, equivalente à exposição abaixo da média do mercado.
Segundo analistas, apesar de reconhecerem os esforços da empresa para reorganizar sua estrutura financeira, o cenário ainda é considerado desafiador em termos operacionais e de alavancagem.
Para Gustavo Moreira, especialista em investimentos e MBA em finanças pela B7 Business School, o mercado tende a reagir com cautela em situações desse tipo.
De acordo com o analista, processos de recuperação extrajudicial costumam gerar incerteza sobre o valor da companhia e possíveis diluições ou renegociações com credores, o que pode resultar em forte volatilidade das ações no curto prazo.
A direção futura do papel, segundo ele, dependerá principalmente da clareza do plano de reestruturação, do volume efetivo de dívidas renegociadas e da capacidade da empresa de retomar a geração consistente de caixa.
Referência: InfoMoney
Atualizando dados.
















