Apesar das perdas e da insegurança, as duas pontas do setor mostram cautela. Porém, sabem que ameaça é forte.
Cadeia nega cartelização no Mato Grosso
Redação (09/03/2009) – O fechamento de 13 plantas frigoríficas dos grupos Independência (5), Quatro Marcos (5) e Arantes (3) em Mato Grosso, impõe perdas para toda a cadeia pecuária e coloca o setor nas mãos de um menor número de indústrias. Entretanto, ninguém se arrisca a falar em movimento de cartelização no Estado. Antes, os produtores preferem ser solidários aos clientes e procuram buscar alternativas para tirar o setor da crise.
“Não podemos colocar esta pecha nos frigoríficos. Precisamos encontrar uma saída, pois todos dependem da indústria para comercializar suas mercadorias”, diz o presidente da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), Mário Cândia. Segundo ele, “não existem indícios de cartel e só corremos este risco se houver uma concentração mais forte das plantas nas mãos de poucos grupos, o que ainda não é nosso caso”.
Para o pecuarista e atual vice-presidente da Acrimat, Jorge Pires, “somente se o Friboi, Bertim e Marfrig – os maiores grupos funcionando no Estado – adquirirem as plantas paralisadas é que poderemos caminhar para um processo de cartelização. Por enquanto, não percebo este movimento”.
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Segundo ele, os pecuaristas estão empenhados na busca de uma solução para o saneamento financeiro das indústrias. “Queremos, sim, que todas as plantas paradas voltem a funcionar com saúde financeira para que possamos retomar as atividades normais. Pecuaristas e indústrias devem caminhar juntos”.
O pecuarista da região de Denise (210 quilômetros a sudoeste de Cuiabá), Ralf Almeida, diz que “ainda não podemos falar em cartelização do setor, mas precisamos encontrar uma saída para a cadeia pecuária antes que este processo se inicie em nosso Estado”.
Para o diretor financeiro da Associação dos Proprietários Rurais de Mato Grosso (APR/MT), Mauro Mendonça, o cartel só ocorrerá quando as plantas estiverem sob controle de um pequeno número de empresas. “Independente de qualquer coisa, os pecuaristas estão atentos e vão continuar torcendo para que a situação atual seja revertida com o retorno dos frigoríficos. Nós e toda a sociedade precisamos deles”.
SINDIFRIGO – O presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Estado (Sindifro), Luiz Antônio Freitas Martins, diz que não há qualquer movimento das empresas em Mato Grosso no sentido de combinar preços para forçar a queda da arroba do boi.
“As indústrias jamais irão recorrer a esta prática, mesmo porque existem grandes grupos atuando no Estado e disputando o mercado de uma forma salutar e de acordo com a lei da oferta e da procura”.
Segundo ele, em Mato Grosso são muitos fornecedores. “Na verdade, os preços ainda estão acima da realidade para os importadores e temos perdido muitas vendas por causa disto. Lá fora (mercado externo) a situação está mais difícil porque as empresas que compram nossa carne não têm onde buscar crédito e, com isso, somos afetados diretamente”.





















