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Bioenergia

Falta de chuva reforça necessidade de nucleares, dizem especialistas

A falta de chuva em diversas regiões do país, principalmente no Sudeste, aponta para a necessidade de se prosseguir com os investimentos em usinas nucleares.

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Falta de chuva reforça necessidade de nucleares, dizem especialistas

A falta de chuva em diversas regiões do país, principalmente no Sudeste, aponta para a necessidade de se prosseguir com os investimentos em usinas nucleares. A seca, além de afetar o fornecimento de água para a população, também compromete a geração de energia das hidrelétricas, aumentando a importância das nucleares. A avaliação é de especialistas que participaram nesta terça-feira (7/10) do 3º Seminário sobre Energia Nuclear, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

O presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Aquilino Senra, frisou que a matriz energética brasileira é muito baseada na hidroeletricidade, que vem sendo afetada pelas reiteradas e prolongadas secas nos últimos anos. “No Brasil, a produção hídrica contribui com 92% de toda energia gerada. Os 8% restantes vêm de uma complementação térmica, na qual a nuclear tem um papel de 4%. Essa situação de baixos reservatórios levará a uma tomada de decisão mais rápida sobre a expansão da produção de energia nuclear. É inevitável, nas próximas décadas, um potencial de crescimento nuclear”, disse Senra.

O supervisor da Gerência de Análise de Segurança Nuclear da Eletronuclear, Edson Kuramoto, disse que a menor quantidade de chuva nos últimos anos forçou o governo a utilizar totalmente as usinas térmicas, incluindo as nucleares, para garantir o fornecimento. “Hoje está demonstrado que a matriz energética brasileiras é hidrotérmica. Desde 2012, com a redução das chuvas, os reservatórios estão baixos e as térmicas foram despachadas justamente para complementar a falta da geração hidráulica. A energia nuclear tem que ser lembrada, porque o Brasil domina o ciclo e nós temos grandes reservas do combustível”, disse Kuramoto.

Segundo Kuramoto, além das usinas Angra 1 e 2, já em funcionamento, e Angra 3, em construção, o país precisará de pelo menos mais quatro usinas nucleares, sendo duas no Nordeste e duas no Sudeste. “O potencial de hidrelétricas que temos ainda é no Norte do país, mas está difícil o licenciamento de novas usinas com reservatórios. No passado, nossas hidrelétricas suportavam um recesso de chuvas de seis ou sete meses, hoje é três meses. Então o país vai ter que investir nas usinas térmicas. Até 2030, finda o nosso potencial hidráulico. A partir daí, o Brasil terá de construir novas térmicas, sejam nucleares, a gás, óleo combustível ou carvão.”

Segundo o presidente da INB, o Brasil tem garantidas reservas de urânio pelos próximos 120 anos pelo menos. Isso garante um custo baixo do combustível, que ainda tem a vantagem de não emitir gases de efeito estufa. Para Senra, a questão da segurança, muito questionada por causa do acidente da usina de Fukushima, no Japão, já está solucionada com as novas gerações de usinas. “Os reatores de Fukushima são de segunda geração. Os que estão começando a ser instalados agora são de terceira geração e neles não ocorreriam acidentes como os que já ocorreram, seja em 1979, nos Estados Unidos [em Three Mile Island, Pensilvânia], ou em 1986, em Chernobil [Ucrânia], e em 2011, em Fukishima”, explicou Senra.

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