Especialistas americanos apontam necessidade de mudanças radicais na avicultura para conter Influenza Aviária

Para deter o atual surto de gripe aviária altamente patogênica (GAAP), podem ser necessárias mudanças significativas na forma como as operações comerciais criam e produzem aves. Essa foi a principal conclusão de especialistas durante o webinar “O que sabemos (ou não sabemos) sobre a transmissão do H5N1 em fazendas”, organizado pelo The Pandemic Center da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown.
Kay Russo, veterinária da RSM Consulting, argumentou que as atuais instalações avícolas, construídas primordialmente para eficiência e produção, não foram necessariamente projetadas com foco no controle de doenças ou na biossegurança. Ela questionou a viabilidade de grandes complexos avícolas, com milhões de aves, diante do enorme impacto financeiro em caso de surto.
Gail Hansen, consultora sênior da Hansen Consult e ex-veterinária de saúde pública do estado do Kansas, coapresentadora do webinar, reforçou a necessidade de considerar todas as formas de disseminação de doenças no projeto de futuros complexos avícolas comerciais. Ela destacou que os modernos sistemas de criação intensiva, com aves em espaços confinados e a constante luta contra a contaminação, podem facilmente levar à propagação de doenças infecciosas como a IAAP. Hansen levantou questionamentos sobre a necessidade e a forma de possíveis mudanças na avicultura moderna, admitindo não ter respostas definitivas.
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Embora o risco de uma pandemia humana permaneça baixo até o momento, os especialistas enfatizaram a importância de precauções diante da mutação e transmissão do vírus HPAI entre espécies animais. A maioria dos casos de IAAP em humanos tem sido leve e restrita a trabalhadores rurais, mas foram registrados dois casos fatais de H5N1 desde dezembro, ambos associados ao genótipo D1.1, predominante nas rotas migratórias da América do Norte.
Hansen alertou que o genótipo do vírus parece fazer diferença na gravidade dos casos em humanos, enquanto Russo destacou que o “denominador” da ameaça ainda é desconhecido. Ambos concordaram que a GAAP representa um risco significativo tanto para a pecuária quanto para a saúde humana, exigindo uma reavaliação das práticas de produção avícola.
Referência: WATTagnet





















