A cadeia avícola vai reduzir sua produção em 25% até maio.
Avicultores esperam reverter efeito da gripe até fim do ano
Redação AI (31/03/06) – A medida é uma resposta à queda nas exportações de frango, provocada pela disseminação da gripe de aves na Europa. A necessidade de ajustar a oferta é consenso entre produtores e especialistas, que se reuniram nessa quinta-feira (30-03), em Campinas (SP), no seminário “Influenza Aviária: Estratégias para um novo cenário na avicultura”, que discutiu a crise mundial pela qual passa o setor. “Precisamos retornar aos patamares de produção de 2004 se quisermos sobreviver”, disse o presidente da Associação Paulista de Avicultura (APA), Erico Pozzer.
Com isso, os produtores esperam reverter a tendência de queda nos preços, acentuada durante o mês de março. Segundo Pozzer, a cotação do quilo vivo caiu 40% nos últimos seis meses. “Neste primeiro trimestre, o faturamento das empresas do setor caiu 30% em média. Sem uma mudança nesse quadro, as pequenas e médias empresas não sobrevivem”, conclui.
Os preços internos refletem o desaquecimento das exportações por causa da gripe de aves. Segundo as estimativas da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), as vendas externas devem ficar na casa de 170 mil toneladas em março, ante a média mensal de 200 mil toneladas no primeiro bimestre. “No segundo semestre de 2005, a média embarcada foi de 250 mil toneladas por mês”, afirma o diretor de relações internacionais da Abef, Christian Lohbauer.
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De acordo com o consultor Osler Desouzart, da OD Consulting, o mundo deve reduzir o consumo de frango em cerca de 1,4 milhão de toneladas em 2006, com uma queda de 700 mil a 900 mil toneladas no comércio internacional. O Brasil, que detém 40% do mercado, pode reduzir os embarques em até 500 mil toneladas, o que significaria queda de 17%.
Apesar da apreensão gerada pela crise mundial, os produtores demonstram otimismo. Lohbauer acredita que as exportações podem retomar o fôlego no segundo semestre e fechar o ano no mesmo volume de 2005, cerca de 2,9 milhões de toneladas.





















