Autoridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) disseram nesta terça-feira (20), estar “correndo” para chegar a um acordo capaz de garantir que os países em desenvolvimento, mais vulneráveis a uma pandemia de gripe aviária, recebam as vacinas de que necessitam.
OMS discute acordo sobre vacina contra gripe aviária
Redação (21/03/07) – A Indonésia destacou esse problema com a afirmação de que apenas compartilhará amostras do vírus H5N1, da gripe aviária, caso receba garantias de que o material não será usado para a fabricação de uma vacina rentável apenas para uma empresa ou um outro país.
A declaração preocupou cientistas e autoridades da área de saúde. "Precisamos obter mensalmente informações atualizadas sobre o vírus", afirmou David Heymann, principal autoridade da OMS para a gripe aviária em Genebra, durante entrevista concedida por telefone.
O receio das autoridades da Indonésia é de que o país não tenha prioridade na obtenção de uma eventual vacina, caso o H5N1 venha a provocar uma pandemia. O país é o mais atingido pela gripe aviária, com o registro de 66 mortes provocadas pela doença.
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A OMS, por sua vez, tem tido cautela para não criticar a Indonésia. "Somos realmente muito gratos pelo que eles têm feito, mesmo que isso nos tenha obrigado a correr", disse Heymann. "A preocupação da Indonésia é também nossa preocupação."
No total, 16 fabricantes de dez países estão desenvolvendo protótipos de uma vacina para uma eventual pandemia provocada pelo H5N1.
A OMS convocou um encontro a ser realizado em Jacarta, na próxima semana, para debater as formas mais eficientes de garantir que as empresas possam fabricar mais vacinas contra a gripe aviária e que essas vacinas estejam disponíveis para todos os que precisarem dela.
Além disso, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, se reunirá com diretores executivos das fabricantes de vacinas.
O H5N1 matou 169 das 281 pessoas que, segundo se sabe, contaminou, e espalhou-se por vários países, atingindo a Ásia, a África e a Europa.
Especialistas acreditam que o vírus pode, por meio de mutações, adquirir a capacidade de passar de uma pessoa para outra, provocando uma pandemia capaz de levar milhões de vítimas à morte dentro de meses.
Uma vacina, neste caso, seria a única solução eficaz. As vacinas atuais, entretanto, garantem proteção contra um único tipo do vírus – não há uma vacina que funcione para todos os tipos de H5N1.
Além disso, poucas empresas fabricam vacinas no mundo, e a capacidade total de produção é de aproximadamente 300 milhões e 400 milhões de doses por ano – uma marca muito inferior à que seria preciso atingir no caso de uma pandemia.
Outro fator preocupante é que são necessários meses para que seja desenvolvida uma nova vacina contra gripe porque a tecnologia atual é pouco ágil. "No mundo, não há uma capacidade suficiente de produção de vacina para falarmos em acesso igualitário. É preciso aumentar a capacidade de produção", disse Heymann.





















