Descubra os insights de Marcio Nunes sobre o futuro do agronegócio e suinocultura no Paraná. Conheça iniciativas e políticas públicas
Marcio Nunes detalha o futuro do agronegócio e da suinocultura no Paraná, na Suinocultura Industrial de Agosto

O Paraná tem se consolidado como um polo de excelência na produção animal nacional, e essa posição de destaque é resultado de um trabalho contínuo e estratégico. Com cadeias produtivas robustas e inovadoras, o estado é um exemplo a ser seguido no cenário do agronegócio brasileiro.
Nesta conversa exclusiva, o Secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Marcio Nunes, irá detalhar as políticas públicas e as iniciativas que têm impulsionado o desenvolvimento do setor no Estado, com um foco especial na suinocultura. Essa atividade, vital para a economia de muitos municípios paranaenses, será abordada em diversos aspectos, desde o apoio à infraestrutura e aos pequenos produtores até a promoção da sustentabilidade, da inovação e da abertura de novos mercados.
Veja a seguir uma análise aprofundada dos rumos do agronegócio paranaense e do papel estratégico da suinocultura nesse planejamento.
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1- O Paraná tem se consolidado como referência nacional na produção animal. Quais políticas públicas têm sido estruturadas para manter o protagonismo do estado nas principais cadeias produtivas?
O Estado usa todos seus mecanismos técnicos, financeiros e tributários para fortalecer a produção animal e o processamento industrial. Temos o Banco do Agricultor Paranaense e o Paraná Competitivo, que são mecanismos de redução de custos e de atração de investimentos. Dentro desses programas destacamos a concessão de benefícios para projetos que privilegiam a produção, captação e reserva de água, que é cada vez mais um insumo de essencial necessidade no setor agropecuário. Também privilegiamos projetos para equipamentos visando à energia renovável. Baratear o custo de energia é relevante, especialmente nas cadeias do frango, do suíno, do peixe e do leite. Nesse sentido, o Estado também procura ajudar os produtores a darem destinação correta aos dejetos, com a possibilidade de implantação de biodigestores. Ao mesmo tempo, em que gera energia, protege o meio ambiente.
2 – A suinocultura é uma das atividades que mais movimentam a economia de diversos municípios paranaenses. De que forma o governo estadual tem apoiado o fortalecimento dessa cadeia, e quais os principais incentivos fiscais, linhas de crédito diferenciadas ou outros benefícios específicos que o Paraná oferece para atrair e manter o suinocultor no estado?
O Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Fazenda e Receita Estadual, tem oferecido apoio significativo à suinocultura, reconhecendo sua importância para a economia de diversos municípios. O setor é um dos mais beneficiados em termos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Entre os principais incentivos fiscais e benefícios específicos, destacam-se:
• Redução da Base de Cálculo (Anexo VI do Regulamento do ICMS): Há uma redução de 50% na base de cálculo do ICMS para saídas interestaduais de suínos vivos realizadas por produtor rural, quando sujeitas à alíquota de 12%. Este benefício é válido até 30 de abril de 2026.
• Crédito Presumido (Anexo VII do RICMS): Estabelecimentos abatedores que realizam ou encomendam o abate no Estado podem usufruir de um crédito presumido de 8,5% sobre o valor da entrada, em operações internas, de suínos vivos destinados à sua atividade.
• Diferimento (Anexo VIII do RICMS): O milho (em grão, moído, em espiga ou em palha) tem o ICMS diferido nas saídas destinadas à alimentação de suínos em estabelecimentos de produtores localizados no Paraná.
Esses incentivos visam fortalecer a cadeia produtiva, atrair investimentos e manter o suinocultor no Estado, garantindo a competitividade e o desenvolvimento do setor.
Também a Invest Paraná, agência de promoção de investimentos do governo do Estado, atua de forma complementar às políticas públicas por meio do programa Paraná Competitivo, que oferece incentivos fiscais a empresas que desejam investir no Estado, inclusive em projetos industriais ligados à cadeia da suinocultura. Os benefícios consideram critérios técnicos e estratégicos definidos em lei e são direcionados principalmente a empreendimentos que promovam industrialização, geração de empregos e agregação de valor à produção local.
3 – Nos últimos anos, o Paraná tem atraído significativos investimentos no setor agro. Qual o balanço desses aportes na suinocultura e quais as perspectivas para novos investimentos no curto e médio prazo?
Um dos marcos da atração de investimentos por parte do Paraná, particularmente no setor de proteínas animais, foi o reconhecimento internacional de livre de febre aftosa sem vacinação, em maio de 2021. Na mesma ocasião, o Estado foi considerado zona independente para a Peste Suína Clássica (PSC), evitando que um eventual caso em unidade federativa distante pudesse ter influência no status e prejudicar o rebanho paranaense. Como exemplo de que a suinocultura paranaense tende a crescer devido à confiança que inspira nos compradores está o reconhecimento por parte do Chile, em julho, desses dois status citados acima, abrindo suas fronteiras para a importação da carne suína do Estado. O Chile é um dos países mais exigentes em relação à sanidade animal. Somado a isso, o Paraná é reconhecidamente o Estado mais sustentável, o que por si só é um chamativo para investidores. Temos percebido investimentos consistentes no setor de suinocultura, como veremos abaixo. A procura externa pela carne suína paranaense, aliada ao crescente consumo interno, visto ser um produto mais acessível ao padrão brasileiro, nos faz ter uma confiança plena de que o futuro é promissor.
4 – A entrada de novas empresas e a expansão de grandes players são importantes para o crescimento da suinocultura. Quais grandes empresas do setor se instalaram ou expandiram suas operações no Paraná recentemente e qual o impacto disso para a cadeia produtiva local?
O Paraná tem recebido vários empreendimentos novos e ampliações no setor de suinocultura, principalmente após o reconhecimento de Estado livre de aftosa sem vacinação. Eles têm sido fundamentais para garantir mais empregos, mais renda para os criadores e mais arrecadação para os municípios num círculo virtuoso do segmento.
Não são todos, mas abaixo estão alguns dos investimentos realizados recentemente:
Em 2023 instalou-se em Assis Chateaubriand o maior frigorífico de suínos da América Latina. Ele pertence à Frimesa – resultado da união das cooperativas Copacol, C. Vale, Lar, Primato e Copagril – com capacidade para abater 15 mil suínos por dia. O investimento é de R$ 2,5 bilhões.
A Coopavel também fez investimento de R$ 220 milhões na ampliação da estrutura da Unidade de Produção de Leitões, com 20 mil matrizes alojadas. O frigorífico também elevou a capacidade de abate diário de 1,8 mil para 3 mil cabeças.
A Alegra Foods, empresa das cooperativas Frísia, Capal e Castrolanda, nos Campos Gerais, investiu cerca de R$ 60 milhões nos últimos anos para ampliar de 3,2 mil para 3,9 mil abates de suínos/dia. Já a Castrolanda inaugurou em 2021 a quinta maternidade da Unidade de Produção de Leitões.
O RPF Group, de Ibiporã, que abate 3,1 mil cabeças diariamente, investiu R$ 20 milhões em unidade para processamento dos subprodutos suínos para fabricação de farinha e óleo para alimentação dos animais (capacidade para 50 toneladas dia de matéria-prima) e em uma fábrica de banha com capacidade para 20 toneladas/dia.
A Copacol inaugurou a Unidade de Produção de Desmamados (UPD), com investimento de R$ 120 milhões, em Jesuítas.
A Agro Laranjeiras, de Laranjeiras do Sul, investiu R$ 480 milhões em unidade para produção de um milhão de leitões desmamados por ano.
A Agroceres Pic recebeu investimento de R$ 332 milhões na Granja Gênesis, maior núcleo genético de suínos da América Latina, instalada em Paranavaí. A unidade tem potencial para processar 1,2 milhão de doses de sêmen por ano.
A C.Vale inaugurou uma UPD em Palotina, visando ao fornecimento a integrados para atender o frigorífico da Frimesa, com capacidade para 5 mil matrizes. Também está sendo construída nova Central de Recria para 22 mil leitões. Os investimentos ultrapassam R$ 100 milhões.
A BMG Foods inaugurou moderno frigorífico nas instalações do antigo Frigorífico Larissa, que foi totalmente reformado, em Iporã. São abatidos 1.400 suínos por dia. O investimento total é de R$ 30 milhões.
5 – Infraestrutura é uma base essencial para o desenvolvimento do agro. Quais obras ou investimentos logísticos estão em andamento, ou planejados para facilitar o escoamento da produção no campo?
O Estado do Paraná está neste momento fazendo um dos maiores investimentos no setor rural com o objetivo de melhorar a logística. O governador Carlos Massa Ratinho Junior liberou R$ 2 bilhões para pavimentação de trechos relevantes de estradas rurais, beneficiando produtores em cadeias relevantes como suíno, leite e frango, além de melhorar as condições de vida para quem precisa de atendimento médico, chegar a escolas ou para o turismo. Os técnicos do Sistema Estadual de Agricultura já estão a campo realizando os Relatórios Técnicos de Vistoria (RTV), que serão a base para os projetos que as prefeituras nos apresentarão. Também foram liberados R$ 1,5 bilhão para que as prefeituras comprem maquinários que possibilitem adequação de estradas rurais, manejo de solo, terraplanagem e infraestrutura de produção. Cada prefeitura está recebendo R$ 3,7 milhões para fazer as compras, e elas já começaram.




















