Saiba como a valorização dos grãos está elevando os custos de ração e afetando a rentabilidade da suinocultura na China
Suinocultura global: alta dos grãos eleva custo da ração na China e aprofunda crise de rentabilidade

A escalada do conflito envolvendo o Irã tem provocado reflexos diretos no custo de produção da suinocultura na China, maior produtora e consumidora mundial de carne suína. A valorização dos grãos e insumos utilizados na ração animal tem elevado significativamente os custos, ampliando a pressão sobre produtores já impactados por preços historicamente baixos da carne.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, contratos futuros de farelo de soja e milho — principais componentes da ração — registraram altas expressivas na bolsa de Dalian. O movimento é impulsionado pelo encarecimento do petróleo, aumento dos fretes e elevação dos custos de fertilizantes, refletindo diretamente na cadeia produtiva.
Insumos sobem até 77% e elevam custo da ração em tempo real
No mercado físico, os preços da farinha de soja e do milho subiram mais de 200 yuans e cerca de 100 yuans por tonelada, respectivamente, ao longo de março, representando aumentos de 7% e 4%. Outros insumos essenciais, como lisina, metionina, farinha de peixe e vitaminas A e E, registraram elevações entre 6% e 77%, segundo análises de mercado.
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Esse cenário tem impacto imediato sobre o custo da ração, principal componente do custo de produção na suinocultura intensiva, comprometendo ainda mais as margens dos produtores.
Preços da carne suína atingem mínima histórica e geram prejuízos
Apesar da alta nos custos, o mercado enfrenta forte pressão do lado da demanda. O excesso de oferta e o consumo enfraquecido levaram os preços da carne suína a níveis mínimos em mais de uma década. O contrato futuro mais negociado no país recuou para 9.980 yuans por tonelada, enquanto o preço à vista caiu para 9,69 yuans por quilo, o menor patamar em 16 anos.
O custo de produção de um suíno com peso entre 60 e 62,5 kg está estimado entre 12,2 e 12,5 yuans por kg, gerando perdas de aproximadamente 280 a 350 yuans por animal comercializado. O cenário evidencia margens negativas persistentes na atividade.
Pequenos produtores enfrentam maior risco de saída do mercado
Os pequenos produtores, que respondem por menos de 30% da produção total, são os mais vulneráveis à volatilidade de preços e ao aumento dos custos. A dificuldade em absorver prejuízos prolongados eleva o risco de saída desses agentes do mercado, acelerando o processo de concentração da produção.
Relatos de campo indicam que produtores já acumulam perdas desde o ano anterior, agravadas pela recente disparada dos custos de alimentação animal.
Ajustes de oferta e intervenção estatal buscam reequilibrar o mercado
Diante do cenário de sobrecapacidade, as autoridades chinesas intensificaram medidas para equilibrar o mercado, incluindo incentivo à redução do plantel de matrizes e controle das taxas de abate. Além disso, o governo realizou compras de carne suína para recomposição de estoques estratégicos, com o objetivo de sustentar os preços.
O rebanho de matrizes foi estimado em 39,61 milhões de cabeças ao final de dezembro, ainda acima do nível considerado adequado, de aproximadamente 39 milhões.
Perspectiva depende de ajuste produtivo e estabilidade dos insumos
A evolução dos preços da carne suína na China dependerá, principalmente, da velocidade de ajuste da oferta, especialmente da redução dos plantéis. Paralelamente, a estabilização dos custos de ração será determinante para a recuperação das margens da atividade.
O cenário atual reforça a sensibilidade da suinocultura global a fatores geopolíticos e ao comportamento dos mercados de grãos, com impactos diretos sobre custos, competitividade e estrutura produtiva.
Referência: Reuters





















