O que a pecuária tropical do Brasil apresenta na COP30 para mitigar o clima e como ela se consolida como referência em produção sustentável.
Embrapa posiciona pecuária tropical brasileira como solução climática na COP30

A Embrapa apresentou seu position paper “Pecuária brasileira como parte da solução para as mudanças climáticas” na AgriZone, em Belém, nesta segunda-feira (17). O documento, elaborado por especialistas em pecuária bovina e mudanças climáticas, defende o papel estratégico da pecuária tropical na transição para sistemas agroalimentares sustentáveis e de baixo carbono.
A pesquisadora Mariana Pereira (Embrapa Gado de Corte) destacou que a pecuária brasileira possui um grande potencial para elevar a eficiência produtiva sem aumentar o rebanho. Ela exemplificou que a produtividade média do país, de cerca de cinco arrobas por hectare/ano, pode ser quadruplicada com a incorporação de soluções tecnológicas já existentes, como bioinsumos, consórcio de forrageiras, genética melhorada e suplementação. Com o abate precoce, “cada animal emite menos gases de efeito estufa”.
Avanços tecnológicos e integração:
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- Pastagens Biodiversas (Embrapa Acre): Daniel Lambertucci apresentou o Sistema Guaxupé, que utiliza diversificação de forrageiras e leguminosas para promover maior resiliência e estabilidade das pastagens. Esse sistema ocupa 100 mil hectares de pastagens biodiversas no Acre.
- Sistemas Integrados (Embrapa Gado de Corte): Roberto Giolo ressaltou o avanço do país na adoção da Integração Lavoura-Pecuária (ILP), que atingiu 17,43 milhões de hectares até 2020/2021, superando as metas do Plano ABC. Giolo demonstrou que pastagens bem manejadas acumulam mais carbono no solo do que a vegetação nativa, estabelecendo um índice de eficiência onde “aqueles que emitem muito perdem dinheiro”.
- Pastagens Naturais (Embrapa Pecuária Sul): Fernando Cardoso defendeu que a intensificação produtiva em pastagens naturais, com uso de leguminosas, também aumenta a produtividade e o sequestro de carbono.
Os especialistas ressaltaram a relevância do investimento em pesquisas e produção de dados sólidos sobre emissões para fortalecer a posição do Brasil em fóruns internacionais e superar os estigmas sobre as emissões da pecuária brasileira. Também foi enfatizada a necessidade de ampliar o acesso e a divulgação dessas tecnologias sustentáveis para diferentes perfis de produtores.





















