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Meio Ambiente

Brasil pode dobrar produção sem ameaçar meio ambiente

Ministro Wagner Rossi defende a recuperação de 100 milhões de hectares de terras degradadas.

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O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, disse nesta quinta-feira (29), que o Brasil pode manter o aumento da produtividade do setor agropecuário sem qualquer ameaça ao meio ambiente. “Somos o único país que tem essa área de terras degradadas – são mais de 100 milhões de hectares, portanto, não precisa derrubar nenhuma árvore para dobrar a produção”, disse Rossi, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, transmitido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) a emissoras de rádio espalhadas pelo país.

Ele reiterou que será possível ao País, nos próximos anos, recuperar as áreas degradadas e dobrar a produção de alimentos. “Os Estados Unidos já exauriram suas terras, na Austrália não há mais como aumentar a produção, a Europa não tem mais onde plantar e o Oriente também não tem onde plantar. Uma parte enorme do globo terrestre é ocupada por terras que não tem qualidade para a agricultura”, comentou Rossi. “Nós temos terra, insolação, água – que é uma riqueza extraordinária. Essa bênção especial, que nós temos nessa terra admirável nos dá a condição de alimentarmos o mundo hoje e mais ainda no futuro”.

Wagner Rossi comentou que o Ministério da Agricultura completa 150 anos no momento em que o mundo assiste a um boom da produção agrícola brasileira. Ele lembrou que o Brasil ocupa hoje o primeiro lugar no ranking de exportação do açúcar, café em grãos, carne bovina, carne de frango, suco de laranja, tabaco e etanol. Atualmente, o País é vice-líder global na venda de soja, está na terceira posição, no ranking mundial, nos embarques de milho e em quarto lugar nas exportações de carne suína.

O ministro destacou a liderança brasileira na produção, com 147 milhões de toneladas de grãos produzidas este ano, e consciente de sua responsabilidade de cuidar do meio ambiente. “Isso foi obtido em condições muito especiais, pois não houve aumento de área de produção”, disse. Entre 1990 e 2009, a área plantada de grãos subiu 1,7% ao ano, enquanto a produção cresceu 4,7%.

Rossi afirmou que o Brasil é o país com maior cobertura natural vegetal preservada no mundo. “Temos 55% de cobertura original mantida e preservada. O governo do presidente Lula tem dado uma grande ênfase à preservação desses recursos extraordinários, que são a Amazônia e as matas de outros biomas”, afirmou.

Ele citou o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), incluído no Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011, com R$ 2 bilhões em investimento, que permitirá manter alta produtividade no campo, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa e redução de 83 a 104 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2). “O que nunca havia recebido estímulo do governo vai ser incentivado a produzir, cuidando do meio ambiente e incorporando práticas que consorciam o aumento da produção e a preservação do meio ambiente”, disse.

“As pessoas que, às vezes, defendem a natureza têm uma boa intenção, mas não conhecem o processo produtivo rural, não são capazes de entender que é perfeitamente possível compatibilizar produção e preservação. Ninguém quer que haja erosão, assoreamento, ninguém deixa de proteger um manancial na sua propriedade. Quem mais preserva no Brasil é o produtor rural”, disse, ao tratar do novo Código Florestal brasileiro.

Durante entrevista no programa “Bom Dia, Ministro”, Rossi disse que a nova legislação não prejudica em nada a preservação, apenas representa um “entendimento” de como o processo produtivo acontece no Brasil. “Produzir e preservar não são incompatíveis”, reforçou.

O ministro destacou ainda a importância de investimentos em floresta plantada, uma vez que ela diminui a agressão em florestas naturais. Uma das áreas mais promissoras nesse setor, segundo ele, são as florestas de eucalipto que, com financiamentos específicos, despertam o interesse de empresários.

“Os ambientalistas têm todo o direito a ideias e opiniões, mas não podem parar o país”, disse. “Os ambientalistas que me desculpem, mas não podem fazer regras contra o povo, contra quem está levando o Estado para frente. Temos que ter cautela, normas. E elas serão respeitadas”, completou Rossi.

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