Real forte impacta nas exportações agrícolas e agronegócio espera mudanças no cenário. Coopercentral Aurora paralisa construção de plantas de abate de aves. Investimento somava R$800 milhões.
Indústrias avícolas decidem adiar investimentos
O agronegócio calcula os efeitos do dólar desvalorizado. Com a queda dos preços das commodities e a valorização do real, empresas do setor, como frigoríficos, adiam investimentos e aguardam uma recuperação mais consistente das cotações.
A Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora paralisou a construção de duas plantas de abate de aves em Canoinhas (SC) e em Carazinho. O investimento nas fábricas somava R$ 800 milhões. “Ainda não temos cronograma para retomar”, diz o vice-presidente da Aurora, Neivor Canton.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne de Frango (Abef), Francisco Turra, a empresa está longe de ser um caso isolado. “Tudo parou este ano”.
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Nos últimos oito anos, a produção de carne de frango cresceu, em média, 11% ao ano. Em 2009, produção e exportação devem ficar estáveis. O setor de carnes é o que mais sofre com a valorização do real, porque os preços tiveram recuperação menos expressiva que os demais produtos agrícolas. “Quanto mais nobre o alimento, mais sensível à queda de renda provocada pela crise”, explica o diretor da consultoria MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros.
“Começamos a forçar um pouco a venda no mercado interno, que tem sido mais previsível, mas temos que disciplinar a oferta”, afirma Canton.
O câmbio está provocando perda de competitividade no mercado externo também na carne bovina, nos laticínios e no setor de soja. Conforme Mendonça de Barros, o impacto do câmbio está variando bastante conforme o setor e a região do país.





















