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País crescerá mais de 5% neste ano, avalia governo

A economia não está tão dependente das exportações, há um consumo interno forte, o volume de crédito subiu.

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Redação (29/08/2008)- A equipe econômica já contabiliza pelo menos mais duas altas de juros até o final deste ano, mas acredita que isso não será suficiente para abortar o ciclo de crescimento da economia. Enquanto o Banco Central reforça o tom do combate à inflação ancorado numa desaceleração do nível de atividade, na Fazenda, no Planejamento e no Palácio do Planalto as expectativas são de um crescimento acima de 5% neste e no próximo ano. Até os 4,5% projetados no Orçamento para 2009 anunciado nesta semana são apontados como um número conservador, apurou a Folha.

A avaliação é que o crescimento no Brasil hoje é diferente do vivido em 2004. A economia não está tão dependente das exportações, há um consumo interno forte, o volume de crédito subiu e, principalmente, os investimentos aumentam de forma expressiva. As projeções são que a taxa de investimento subirá entre 10% e 12% até 2010.

As exportações, mesmo num ritmo bem mais fraco, deverão crescer perto de 2% no ano que vem. Além disso, os defensores da tese ressaltam que, sem nenhum esforço, há uma inércia do crescimento registrado neste ano e em 2007 que garantirá, no mínimo, os 4,5% previstos no Orçamento.

Como acredita-se que os investimento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) irão deslanchar em 2009 e o Orçamento não computou os gastos reais da Petrobras na exploração da área do pré-sal, o Produto Interno Bruto deverá subir além do valor estimado.

Fama de mau

O aumento mais forte dos investimentos é a grande diferença apontada para justificar a discrepância entre as estimativas do governo e as do mercado, que indicam um aumento do PIB de 3,65% para 2009.

A confirmação do cenário mais otimista é esperada com a divulgação, em setembro, do resultado do PIB no segundo trimestre. Depois dos 5,8% verificados no primeiro trimestre, a projeção repassada pela área econômica a Lula é de aumento entre abril e junho próximo a 6%, quando comparado com o mesmo período de 2007, segundo confirmou um interlocutor do presidente.

Ontem, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) disse que o Brasil crescerá mais que 5% neste ano e que o ritmo de crescimento em 2008 e 2009 não será problema para a inflação, que deverá convergir para a meta de 4,5% no ano que vem.

Para Heron do Carmo, pesquisador e especialista em inflação, é possível a economia crescer 5% em 2009 sem risco de descontrole dos preços. "Estamos num ciclo de crescimento que, para ser revertido, necessitará de um tranco razoável." Carmo diz que o BC deverá continuar subindo os juros porque ficou "refém" do seu discurso conservador.

"É um discurso sem sentido, simplista. O BC quer manter a fama de mau. Deixou implícito na ata do Copom que subiria [os juros em] 0,75 ponto e, se não o fizer, tem medo de perder a credibilidade", diz. "Mas é uma credibilidade muito cara."

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