Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↑ R$ 67,35 / kg
Soja - Indicador PR ↑ R$ 148,31 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↓ R$ 154,75 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 9,46 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 6,55 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,67 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,78 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,72 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,73 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 141,38 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↑ R$ 144,11 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 152,36 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 163,60 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 132,26 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 145,83 / cx
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,38 / kg
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,39 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↑ R$ 1.562,68 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↑ R$ 1.468,08 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 154,63 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↑ R$ 136,46 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↑ R$ 145,73 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 158,66 / cx
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Economia

Tarifaço dos EUA deve ter efeito limitado na balança comercial

Especialistas veem impacto concentrado em produtos manufaturados de maior valor agregado, enquanto commodities protegem o saldo geral da economia brasileira

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Tarifaço dos EUA deve ter efeito limitado na balança comercial

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar efeitos limitados sobre o saldo geral da balança comercial do Brasil. No entanto, o setor industrial sentirá um impacto direto e relevante, embora as medidas do governo americano afetem cerca de 18% das exportações nacionais para aquele mercado.

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, as áreas que mais sofrerão com a perda de competitividade são os segmentos que dependem fortemente do mercado dos EUA e enfrentam dificuldades para remanejar compradores, como máquinas, aço, alumínio, calçados e automóveis.

Queda no comércio bilateral

No primeiro semestre de 2026, as trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos somaram US$ 36,4 bilhões — uma queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras recuaram 13% (para US$ 17,4 bilhões), enquanto as importações de produtos americanos caíram 12,5% (totalizando US$ 19 bilhões). Com isso, o Brasil encerrou o período com um déficit comercial de US$ 1,5 bilhão.

Em junho, as exportações registraram alta de 3,7%, alcançando US$ 3,47 bilhões. No entanto, o resultado foi sustentado pela elevação de 11% nos preços médios, enquanto o volume efetivamente embarcado caiu 6,6%.

Efeito concentrado no setor produtivo

Para Lia Valls, pesquisadora associada do Ibre/FGV e professora da Uerj, o tarifaço dificilmente alterará o desempenho agregado da balança comercial, já que os EUA respondem hoje por apenas 9,4% das vendas externas do país. Como a Ásia (principalmente a China) é o maior destino das exportações brasileiras, os impactos serão sentidos em nível microeconômico, afetando especificamente empresas de máquinas, equipamentos, madeira e calçados.

O presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, reforça que o superávit brasileiro é derivado exclusivamente das commodities (como soja, suco de laranja e carnes), que foram poupadas pelas sobretaxas americanas.

Prejuízo para a indústria e empregos

O maior prejuízo recairá sobre a indústria nacional, responsável pela produção de bens de maior valor agregado. Como o Brasil já enfrenta um déficit expressivo no comércio de manufaturados, o aumento das tarifas abre espaço para concorrentes internacionais ocuparem o mercado americano, o que preocupa pela potencial perda de postos de trabalho no país.

Motivações políticas e risco de retaliação

A escalada tarifária, que chegou a atingir alíquotas de 40% a 50% em determinados produtos (somando-se a tarifas anteriores), passou a incorporar critérios políticos. Questões como decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), a regulamentação de plataformas digitais, o Pix e políticas ambientais foram utilizadas como justificativas para as sanções comerciais.

Apesar de o governo brasileiro estudar recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, especialistas desaconselham uma resposta tarifária direta:

  • Lia Valls avalia que o Brasil não tem escala para causar danos proporcionais aos EUA e sugere que o caminho adequado é levar a denúncia à Organização Mundial do Comércio (OMC).

  • José Augusto de Castro destaca que o comércio internacional exige negociação e que uma retaliação traria mais prejuízos do que ganhos para o país.

Produtos afetados

As tarifas foram aplicadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA.

  • Setores atingidos: Aço, alumínio, automóveis, máquinas, equipamentos, calçados e produtos de madeira.

  • Setores isentos: Aeronaves, componentes aeroespaciais, petróleo, soja, café, carne bovina e suco de laranja.

Fonte: Agência Brasil

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