Por conta dos prejuízos com a alta do milho, muitos produtores paulistas deixaram a atividade, reduzindo cerca de 22.500 o número de matrizes alojadas.
Pode faltar carne suína
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Redação SI 11/12/2002 – Os produtores de suínos enfrentam uma crise no setor devido ao aumento do milho e prevêem o desabastecimento do mercado em seis meses, caso a situação não se reverta. O preço alcançado pela venda de suíno no mercado não cobre os custos de criação, principalmente o da ração de milho, cujo preço chegou a R$ 34,00.Em Holambra são três grandes produtores, dos quais dois já reduziram o abate em 10% e um vai fechar devido a prejuízos de até R$ 20 mil por mês. Para evitar mais gastos com ração, os produtores estão abatendo os animais antecipadamente, com até 15 quilos a menos do que o ideal. Além disso, as matrizes, que antes eram abatidas só depois da sexta cria, agora são abatidas logo após a primeira cria.A situação, para a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), deve causar um desabastecimento no mercado deste tipo de carne. A associação calcula também que no ritmo atual dos abates, o estado de São Paulo deve perder 22.500 mil matrizes, de um plantel de 150 mil.Os cálculos apontam um desabastecimento em até seis meses. A redução na produção também deve extinguir cerca de 7.500 postos de trabalho.
Alguns produtores têm substituído o milho por levedura de cerveja, sorgo e até farelo de arroz, insumos que também tiveram aumento de preço. A ração dos suínos representa 70% dos custos de produção e o preço alcançado no varejo não tem compensado os gastos.
Para o produtor Alberto Van Denbroek, de Holambra (SP), o preço do milho é especulação. O milho a R$ 34,00 corresponde a quase US$ 9,00 e torna a produção impraticável. O milho deveria estar no máximo a US$ 7,00, diz ele.Leia também no Agrimídia:
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Para tentar reverter a situação, os produtores enviaram sugestões ao governo do estado, entre elas, incluir a carne suína na merenda escolar; conceder crédito de ICMS para a compra de insumos e criar mecanismos para eles pegarem a levedura de cana das usinas para alimentar os animais. A Secretaria de Agricultura ainda não respondeu às sugestões.
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