“Não podemos esperar que o consumidor pagará essa conta”, diz CEO da JBS sobre padrões ambientais rigorosos no setor alimentício

O setor agroalimentar global enfrenta um impasse: os consumidores ainda não demonstram disposição em pagar mais por alimentos produzidos sob rigorosos padrões ambientais, de acordo com Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, a maior empresa de carnes do mundo. Durante o Global Business Forum do G-20, Tomazoni ressaltou que “não podemos assumir que o consumidor pagará essa conta”, sugerindo que a solução para enfrentar o desafio ambiental no setor reside no aumento da produtividade, a fim de reduzir o custo dos alimentos e torná-los mais acessíveis.
A pressão sobre os produtores de alimentos para adotarem práticas mais sustentáveis tem crescido, especialmente no combate às mudanças climáticas. Entre as medidas exigidas estão a redução do desmatamento e a diminuição do uso de fertilizantes sintéticos de nitrogênio, elementos críticos para reduzir as emissões de carbono. A agricultura, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), é responsável por mais de 20% das emissões globais de carbono.
Necessidade de financiamento e incentivos para a sustentabilidade
Tomazoni destacou que a indústria alimentícia precisará de um investimento anual de até US$ 350 bilhões até 2030 para financiar a transição para práticas mais sustentáveis. O executivo propôs a criação de um sistema que recompense os agricultores por seus “serviços ambientais”, garantindo que aqueles que adotem práticas sustentáveis possam ser compensados por seus esforços.
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A adoção de tecnologias e práticas agrícolas mais verdes pode representar um caminho crucial para a redução das emissões de carbono, mas o financiamento e a viabilidade econômica dessas mudanças dependem de uma colaboração entre os governos, a iniciativa privada e os consumidores.





















