Entenda como os EUA perdem espaço para Brasil nas exportações de soja para a China e o impacto dessa tendência no comércio
EUA perdem espaço para Brasil nas exportações de soja para a China

A American Soybean Association (ASA) declarou que os Estados Unidos têm perdido participação no comércio de soja com a China para o Brasil nos últimos anos, e essa tendência parece continuar no curto prazo. Segundo analistas, apesar da pausa de 90 dias nas tarifas de exportação entre EUA e China, a soja americana não deverá ganhar espaço no mercado asiático tão cedo, já que a China está bem abastecida e o Brasil segue como o principal fornecedor.
Leonardo Martini, analista em gestão de risco da StoneX, concorda com a reclamação da entidade americana, mas ressalta que o Brasil é naturalmente o principal fornecedor do grão aos chineses nesta época do ano. Ele explica que, mesmo com a retirada da tarifa de 10% sobre as importações de soja dos EUA, o produto brasileiro ainda é mais barato para o mercado asiático, o que é um fator natural, dada a safra recorde no país.
William Osnato, diretor de inteligência de mercado da Barchart, afirma que a China está em uma posição confortável para as compras de soja, com os estoques no pico da temporada e a maior parte das compras para outubro já finalizada. Isso permite que o país asiático adie um acordo comercial com os EUA, e Osnato não acredita em uma venda significativa de soja americana para a China sem um acordo.
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A ausência da China no mercado de soja americano é preocupante para os EUA, que correm o risco de perder sua janela ideal de exportação, que ocorre de outubro a dezembro. Martini, da StoneX, lembra que, como os chineses ainda não compraram nada da safra 2025/26 dos EUA, não haverá tempo hábil para que a mercadoria chegue em outubro. Dessa forma, restarão apenas os dois últimos meses do ano para essas negociações acontecerem, já que em janeiro o Brasil estará novamente pronto para competir com sua nova safra.
Com a China fora do mercado de soja americano, Osnato avalia que os EUA terão dificuldades para exportar as 46,40 milhões de toneladas previstas pelo USDA para a temporada 2025/26. Ele projeta que, sem um acordo comercial, milhões de toneladas de soja permanecerão nos EUA, pressionando os preços domésticos e na bolsa de Chicago, mesmo com exportações para outros parceiros na Europa, Ásia e Américas.





















