A revisão do Acordo dos EUA com México e Canadá em 2026 mobiliza produtores em defesa das cláusulas de segurança jurídica
Produtores dos EUA exigem blindagem do acordo com México e Canadá

A iminente revisão conjunta do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), agendada para julho de 2026, mobilizou uma frente unida entre o Congresso e as principais lideranças do agronegócio norte-americano. Em carta enviada ao Representante Comercial dos EUA (USTR), mais de 100 membros da Câmara, liderados pelo Congressional Agriculture Trade Caucus, alertaram para a necessidade de preservar a segurança jurídica do tratado, considerada vital para a sobrevivência econômica das fazendas familiares em um momento de pressão financeira.
O documento, endereçado ao embaixador Jamieson Greer, enfatiza que o acordo harmonizou regulamentações e eliminou barreiras técnicas, sendo o pilar que sustentou exportações agrícolas de US$ 176 bilhões em 2024. Os legisladores argumentam que a natureza vinculativa das disposições sanitárias e fitossanitárias do USMCA é o que garante o acesso aos mercados vizinhos. “Num momento em que os desafios econômicos ameaçam o sustento das fazendas familiares, os produtores precisam da segurança proporcionada pelo USMCA mais do que nunca”, destacaram os deputados na missiva de 20 de novembro.
O Peso do Comércio para Suínos e Lácteos
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A preocupação é ecoada pelas entidades de classe. O Conselho Nacional de Produtores de Suínos (NPPC) reforçou que o setor exporta mais de 25% de sua produção total, tendo o México e o Canadá como primeiro e quarto maiores destinos, respectivamente. Para a suinocultura, o USMCA não apenas facilitou o fluxo comercial, mas eliminou a incerteza que pairava sobre essas relações. No setor de lácteos, Gregg Doud, CEO da Federação Nacional de Produtores de Leite, pontuou que o comércio isento de tarifas com o México, blindado pelo acordo, foi crucial para atender à demanda crescente do vizinho do sul.
Kenneth Smith Ramos, ex-negociador-chefe do México e atual consultor, projeta uma revisão complexa, mas descarta um colapso do tratado. Segundo ele, o cenário mais provável é uma negociação intermediária, onde pontos específicos e controversos sejam reabertos sem ameaçar a estrutura central do pacto. “Haverá turbulências, mas não prevemos uma queda de avião”, analisou Smith, reforçando que a manutenção do pacto trilateral é estratégica para a segurança alimentar e a rentabilidade do agronegócio em toda a América do Norte.
Referência: Pork Business





















