Descubra como a produção de carne suína na União Europeia deve recuar na próxima década, impactada por mudanças de mercado
Produção de carne suína na União Europeia deve recuar na próxima década

A cadeia da suinocultura europeia caminha para um período de ajuste estrutural ao longo dos próximos dez anos. De acordo com as mais recentes perspectivas agrícolas de médio prazo da Comissão Europeia, a produção de carne suína na União Europeia deverá registrar queda gradual entre 2025 e 2035, refletindo mudanças regulatórias, de mercado e de consumo.
As projeções indicam uma redução média anual de 0,75% na produção de carne suína no bloco. Entre os principais fatores estão o endurecimento das normas de bem-estar animal e ambientais em diversos países da UE, além da diminuição das oportunidades de exportação, especialmente para a China, que vem recuperando sua capacidade produtiva após anos de impacto da peste suína africana.
O cenário traçado pela Comissão Europeia considera que a peste suína africana continuará presente no território europeu, porém sem a ocorrência de surtos de grande escala ou fora de controle. Essa premissa sustenta uma trajetória de queda moderada, e não abrupta, na produção ao longo da próxima década, conforme análise resumida por Hannah McLoughlin, analista da AHDB.
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Além da produção, o consumo interno também tende a recuar. A previsão é de que o consumo per capita de carne suína na União Europeia diminua de 23,3 quilos por habitante ao ano para 21,8 quilos em 2035. Mesmo permanecendo como a proteína animal de menor custo relativo no mercado europeu, a carne suína enfrenta desafios ligados à percepção dos consumidores, especialmente em relação a questões ambientais, sociais e ao teor de gordura do produto.
No comércio exterior, a tendência é igualmente de retração. As exportações de carne suína da UE deverão cair cerca de 1% ao ano até 2035, o que representa uma redução acumulada de aproximadamente 280 mil toneladas. A demanda global permanece relativamente estável, mas a competitividade europeia tende a diminuir diante do avanço de grandes players internacionais.
O Reino Unido deve se consolidar como o principal destino da carne suína exportada pela União Europeia. Ao mesmo tempo, com a recuperação produtiva de mercados tradicionalmente relevantes, como China e Vietnã, o bloco europeu buscará ampliar sua presença em outras regiões, como o continente africano. Esse movimento, no entanto, ocorrerá em um ambiente de concorrência mais acirrada, sobretudo com Estados Unidos, Canadá e Brasil.
Como resultado, a participação da União Europeia nas exportações globais de carne suína deverá encolher, passando de 28,5% para cerca de 26% até 2035. O dado reforça a leitura de que a suinocultura europeia entrará em uma nova fase, marcada por menor volume produtivo, maior pressão regulatória e necessidade de reposicionamento estratégico no mercado internacional.





















