Entenda como o possível retorno do El Niño pode impactar as temperaturas globais e o clima no Brasil nos próximos meses
Possível retorno do El Niño pode elevar temperaturas globais e alterar regime de chuvas no Brasil

Após três anos consecutivos sob influência do fenômeno La Niña, o sistema climático global pode entrar novamente em uma fase de El Niño nos próximos meses. A informação foi divulgada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que monitora as variações climáticas associadas ao Oceano Pacífico.
De acordo com as projeções da entidade, as condições climáticas neutras devem permanecer ao menos até maio. No entanto, entre maio e junho a probabilidade dessa neutralidade cairá para cerca de 60%, abrindo espaço para o possível desenvolvimento do El Niño no decorrer do segundo semestre.
Entre junho e agosto, a chance de formação do fenômeno já chega a 55%. Segundo o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, caso o El Niño se confirme, existe a possibilidade de um novo aumento nas temperaturas médias globais, uma vez que o fenômeno costuma intensificar o aquecimento já observado no planeta.
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Fenômenos climáticos ocorrem em cenário de mudanças no clima
El Niño e La Niña são eventos naturais que fazem parte da dinâmica climática do planeta. Entretanto, atualmente esses fenômenos ocorrem em um contexto marcado pelas mudanças climáticas, responsáveis por elevar as temperaturas globais e modificar padrões tradicionais de precipitação.
Esse cenário contribui para a intensificação de eventos climáticos extremos, como períodos prolongados de seca ou episódios de chuvas intensas concentradas em curtos intervalos de tempo.
Nos últimos anos, o Brasil registrou ocorrências que ilustram esse comportamento mais instável do clima. Entre elas estão as fortes tempestades que atingiram o litoral norte de São Paulo em fevereiro de 2023, as enchentes históricas registradas no Rio Grande do Sul em abril de 2024 e episódios recentes de chuvas intensas na região de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Diferenças entre os fenômenos El Niño e La Niña
Os fenômenos El Niño e La Niña são definidos por variações na temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico na região equatorial.
Durante episódios de El Niño, ocorre um aquecimento anormal dessas águas, com elevação de pelo menos 0,5 °C em relação à média histórica. Já a La Niña é caracterizada pelo resfriamento da mesma região oceânica em pelo menos 0,5 °C abaixo da média.
Para que um desses fenômenos seja oficialmente reconhecido, a anomalia de temperatura precisa persistir por pelo menos cinco trimestres consecutivos. Embora existam diversas hipóteses para explicar a periodicidade desses ciclos, ainda não há consenso científico sobre os mecanismos que determinam sua ocorrência.
Impactos climáticos no território brasileiro
Os efeitos desses fenômenos variam de acordo com a região do planeta. No Brasil, a influência costuma provocar alterações significativas na distribuição das chuvas e nas temperaturas.
Durante períodos de La Niña, é comum que o Sul do país enfrente condições mais secas, enquanto as chuvas tendem a se concentrar nas regiões Norte e Nordeste. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, as temperaturas costumam ficar ligeiramente abaixo da média.
Em fases de El Niño, o comportamento tende a se inverter. O Sul frequentemente registra aumento das chuvas e maior ocorrência de tempestades, enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais prolongados de estiagem. Essas mudanças no regime climático têm impactos diretos sobre atividades como agricultura, produção de grãos, abastecimento hídrico e planejamento da safra.
Referência: Valor Econômico


















