Explore as oportunidades no Oriente Médio, que se consolida como um destino promissor para carne de frango de exportadores globais
Oriente Médio amplia demanda por carne de frango e se consolida como mercado estratégico para exportadores globais

O Oriente Médio tem se consolidado como um dos mercados mais dinâmicos para a carne de frango no comércio internacional. O avanço é impulsionado por fatores como crescimento populacional, expansão do setor de alimentação fora do lar, turismo e políticas governamentais voltadas ao fortalecimento da segurança alimentar.
Apesar do aumento da produção local em alguns países da região, a dependência de importações permanece elevada. O crescimento do turismo, a realização de megaeventos e as estratégias de diversificação econômica de longo prazo vêm transformando o mercado regional em um espaço cada vez mais disputado por exportadores globais.
Nos últimos anos, países do Golfo como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein passaram a atrair maior interesse de exportadores europeus de carne de frango. O crescimento da renda, a expansão demográfica e as limitações estruturais para ampliar significativamente a produção local devem sustentar essa tendência.
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Crescimento populacional deve ampliar consumo de carne de frango
A população do Oriente Médio deverá crescer em cerca de 20 milhões de pessoas até 2029, sendo que aproximadamente 50% desse contingente terá menos de 25 anos. A avaliação foi apresentada por Stig Munck Larsen, consultor-chefe do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação e presidente do grupo de trabalho de comércio da AVEC.
Segundo Larsen, essa nova configuração demográfica tende a ampliar o consumo de carne de frango no curto e no longo prazo. Atualmente, a região demanda cerca de 2,5 milhões de toneladas de importações anuais, volume que apresenta tendência de crescimento gradual, embora com variações entre os países.
Projeções do instituto de análise de mercado IndexBox indicam que, até 2035, o mercado regional de carne de frango poderá se aproximar de 10 milhões de toneladas, com valor superior a US$ 20 bilhões. O crescimento médio estimado é de 1% ao ano em volume e 2,2% ao ano em valor entre 2024 e 2035.
Concorrência internacional se intensifica nas exportações
Historicamente, o Brasil lidera o fornecimento de carne de frango para o Oriente Médio, apoiado em grande escala de produção, preços competitivos e cadeias de abastecimento com certificação halal.
No entanto, o cenário competitivo vem se tornando mais disputado. Exportadores da União Europeia, além de produtores da Ucrânia, Rússia e Turquia, têm ampliado esforços para conquistar compradores na região, buscando diversificar destinos diante da volatilidade da demanda interna e das tensões geopolíticas.
Atualmente, cerca de 5% das exportações de carne de frango da União Europeia têm como destino o Oriente Médio, principalmente os países do Golfo, o que representa pouco mais de 100 mil toneladas.
A Ucrânia, que anteriormente planejava expandir sua presença regional, enfrentou dificuldades em 2025. Segundo Oleksandra Avramenko, do Ukrainian Club of Agrarian Business, a competitividade do país foi afetada pelo aumento dos custos logísticos e produtivos decorrentes da guerra, além das limitações operacionais nos portos do Mar Negro.
Rússia amplia participação nas vendas para países do Golfo
Enquanto isso, a Rússia vem registrando crescimento significativo nas exportações para a região. Em 2024, as vendas de carne de frango para países do Golfo aumentaram 57%, superando 100 mil toneladas.
Aproximadamente 75% desse volume foi destinado à Arábia Saudita, mercado considerado estratégico pelos exportadores russos. Nos últimos anos, empresas avícolas do país passaram a priorizar a certificação halal como estratégia para ampliar presença em mercados muçulmanos.
Preço ainda é fator decisivo no comércio regional
Apesar das oportunidades, o preço continua sendo um fator determinante nas negociações com importadores do Oriente Médio. Exportadores europeus enfrentam desafios relacionados aos custos de produção mais elevados, decorrentes das exigentes regulamentações ambientais, sanitárias e de bem-estar animal da União Europeia.
Segundo Katarzyna Gawrońska, da Câmara Nacional de Produtores de Aves e Alimentos para Animais da Polônia, o setor avícola polonês considera a região um destino promissor, mas ainda enfrenta dificuldades para competir com fornecedores de menor custo.
Grande parte das exportações para o Oriente Médio baseia-se em grandes volumes de produtos de menor valor agregado, principalmente provenientes do Brasil e, cada vez mais, da Turquia, Ucrânia e países asiáticos.
Protecionismo e autossuficiência podem alterar dinâmica do mercado
Embora as perspectivas de crescimento sejam positivas, o mercado regional também apresenta riscos. Um dos principais fatores é o avanço de políticas voltadas à autossuficiência alimentar.
Na Arábia Saudita, por exemplo, as importações ainda representam parcela significativa do abastecimento, mas o país estabeleceu como meta atingir mais de 70% de autossuficiência em carne de frango até 2030.
Além disso, novas regras de Boas Práticas Agrícolas voltadas à produção de frango e ovos poderão ser implementadas, o que pode representar um desafio adicional para exportadores estrangeiros.
Especialistas também apontam o risco de que outros países da região adotem medidas protecionistas para proteger produtores locais, o que pode alterar a dinâmica das importações no Oriente Médio nos próximos anos.
Nesse cenário, a capacidade dos exportadores europeus de ampliar sua presença no mercado dependerá do equilíbrio entre custos de produção mais elevados e a valorização de padrões mais rigorosos de qualidade, segurança alimentar e bem-estar animal.
Referência: Poultry World
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