Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 71,09 / kg
Soja - Indicador PRR$ 122,00 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 128,80 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,12 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,94 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,76 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,67 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,64 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,78 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 178,01 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 188,37 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 200,90 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 209,26 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 168,82 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 194,84 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,05 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,09 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.211,34 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.091,60 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 206,04 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 183,84 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 170,25 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 178,62 / cx
Revista

Farelo e óleo de soja: safra recorde, geopolítica e biocombustíveis moldam o mercado no Anuário Avicultura Industrial de 2025

Entenda como a safra recorde de soja e a geopolítica impactaram o mercado de farelo e óleo de soja no Brasil em 2025

Compartilhar essa notícia
Farelo e óleo de soja: safra recorde, geopolítica e biocombustíveis moldam o mercado no Anuário Avicultura Industrial de 2025

O mercado brasileiro de farelo e óleo de soja atravessou 2025 em um ambiente considerado atípico, marcado pela combinação entre safra recorde e mudanças nos fluxos globais de comércio provocadas pela geopolítica. A produção nacional foi estimada em 171,8 milhões de toneladas, volume significativamente superior às 152,3 milhões registradas em 2024.

Mesmo com o expressivo aumento da oferta, o mercado interno não enfrentou uma pressão baixista intensa. Um dos fatores decisivos foi a deterioração da relação comercial entre os Estados Unidos e a China, que levou o país asiático a priorizar fornecedores sul-americanos. Nesse cenário, o Brasil e a Argentina ampliaram sua participação nas compras chinesas, sustentando os preços da soja e de seus derivados ao longo do ano.

Outro elemento relevante foi o aumento do processamento doméstico. O esmagamento brasileiro deve encerrar 2025 próximo de 58,5 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 7% em relação às 54,6 milhões registradas no ciclo anterior. A maior produção de derivados pressionou principalmente o mercado de farelo durante boa parte do ano e limitou a valorização do óleo de soja em um ambiente de demanda mais moderada.

Regulamentação europeia impactou preços do farelo

No caso do farelo de soja, um dos principais fatores de volatilidade foi o debate em torno da Regulamentação Europeia para Produtos Livres de Desmatamento, conhecida como EUDR – Regulation on Deforestation-free Products.

A possibilidade de endurecimento das regras de rastreabilidade pela União Europeia a partir de 2026 provocou uma corrida antecipada de compras. Esse movimento elevou rapidamente os contratos negociados na Chicago Board of Trade (CBOT), que saíram de níveis inferiores a US$ 300 por tonelada — os menores em mais de uma década — para patamares acima de US$ 330 em poucas semanas.

O reflexo foi imediato no Brasil, fortalecendo a paridade de exportação e elevando as cotações internas entre outubro e o início de dezembro. Contudo, o impulso perdeu força após a sinalização de que a regulamentação europeia deverá ser adiada para dezembro de 2026, reduzindo a urgência das compras antecipadas.

Mesmo assim, a firmeza do mercado doméstico foi reforçada pela combinação entre demanda externa ativa e menor disponibilidade sazonal durante a entressafra. Os preços médios do farelo nas principais praças brasileiras iniciaram o ano próximos de R$ 1.968 por tonelada, recuaram para cerca de R$ 1.538 em setembro e voltaram a se aproximar de R$ 1.700 na primeira semana de dezembro.

Biodiesel influenciou a volatilidade do óleo de soja

O mercado de óleo de soja também apresentou forte volatilidade ao longo de 2025, porém influenciado principalmente pelo setor de biocombustíveis.

A indefinição em torno do cronograma da mistura obrigatória de biodiesel no Brasil manteve o mercado enfraquecido no primeiro semestre. O adiamento do B15 gerou incertezas e reduziu o ritmo de compras por parte das usinas.

O cenário mudou apenas em 25 de junho, quando foi confirmada a adoção da mistura obrigatória de 15% de biodiesel no diesel (B15) a partir de agosto. O anúncio impulsionou rapidamente os preços internos, que passaram de uma média de R$ 6.064 por tonelada em junho para cerca de R$ 7.050 em outubro.

No entanto, no último bimestre do ano o movimento perdeu força. O setor de biodiesel reduziu o ritmo de aquisições, enquanto a oferta doméstica permaneceu elevada devido ao maior esmagamento. Com isso, os preços voltaram a recuar, aproximando-se de R$ 6.580 por tonelada em dezembro.

Mercado internacional também limitou a valorização do óleo

No ambiente externo, o óleo de soja enfrentou dificuldades adicionais para sustentar altas. Entre os principais fatores estiveram a volatilidade das políticas de biocombustíveis nos Estados Unidos, a queda dos preços do petróleo e a recuperação da oferta global.

O mercado permaneceu sensível às discussões sobre o Renewable Fuel Standard (RFS), programa que define as metas de mistura de biocombustíveis no país norte-americano. Alterações nas metas ou concessões de isenções a refinarias de menor porte influenciaram diretamente as expectativas do mercado e contribuíram para a instabilidade das cotações em Chicago.

Safra maior pode pressionar preços em 2026

Para 2026, os fundamentos do mercado indicam um cenário potencialmente mais pressionado para o complexo soja. As projeções iniciais apontam para uma produção brasileira próxima de 178,7 milhões de toneladas, o que representaria um novo recorde.

Caso confirmado, o aumento da oferta tende a pressionar os preços domésticos de soja, farelo e óleo principalmente a partir da entrada da nova safra, quando a disponibilidade física se amplia significativamente.

Além disso, o ambiente geopolítico pode se mostrar menos favorável do que em 2025. A China já retomou compras de soja norte-americana, ainda que em ritmo moderado, demonstrando a intenção de cumprir o compromisso de adquirir cerca de 25 milhões de toneladas dos Estados Unidos ao longo do ano.

Esse movimento tende a reduzir a participação brasileira nas importações chinesas e pode elevar os estoques de passagem no Brasil para aproximadamente 12,8 milhões de toneladas, mesmo com exportações projetadas acima de 107 milhões.

Política de biocombustíveis seguirá como fator-chave

Outro elemento decisivo para 2026 será a evolução da política de biocombustíveis no Brasil. Embora o B15 esteja consolidado, a expectativa é que o avanço para o B16 não ocorra no primeiro semestre.

Sinalizações recentes do Ministério de Minas e Energia indicam entraves técnicos e também cautela diante do ambiente político e eleitoral, que tende a reduzir a probabilidade de medidas com impacto inflacionário.

Sem expansão significativa da mistura obrigatória, a demanda adicional por óleo de soja pode permanecer limitada no curto prazo, reforçando um cenário de estabilidade ou leves recuos nas cotações.

Descompasso entre demanda de farelo e óleo desafia o setor

No caso do farelo de soja, o desafio estrutural permanece ligado ao ritmo de crescimento da demanda global. Enquanto o consumo de óleo é impulsionado por políticas energéticas e pela expansão do biodiesel, o farelo depende fundamentalmente do crescimento da produção pecuária.

Esse descompasso entre os dois derivados, somado à tendência de aumento da oferta global, indica que o farelo poderá enfrentar pressão adicional ao longo de 2026.

Diante desse cenário, a ampliação e consolidação de novos mercados externos será fundamental para evitar quedas mais intensas nas cotações e garantir equilíbrio ao complexo soja.

Mercado inicia 2026 com tendência de maior acomodação

Em síntese, o mercado do complexo soja entra em 2026 marcado por safra recorde, menor tensão geopolítica, demanda chinesa potencialmente mais diversificada e manutenção do B15 no Brasil.

Apesar da possibilidade de volatilidade pontual — principalmente no mercado de óleo — o quadro atual indica uma tendência predominante de maior acomodação de preços para soja, farelo e óleo diante de um cenário de oferta ampla.

Assuntos Relacionados
boletimAIrevista
Mais lidas

Atualizando dados.

Cotação
Fonte CEPEA
  • Milho - Indicador
    Campinas (SP)
    R$ 71,09
    kg
  • Soja - Indicador
    PR
    R$ 122,00
    kg
  • Soja - Indicador
    Porto de Paranaguá (PR)
    R$ 128,80
    kg
  • Suíno Carcaça - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 10,12
    kg
  • Suíno - Estadual
    SP
    R$ 6,94
    kg
  • Suíno - Estadual
    MG
    R$ 6,76
    kg
  • Suíno - Estadual
    PR
    R$ 6,67
    kg
  • Suíno - Estadual
    SC
    R$ 6,64
    kg
  • Suíno - Estadual
    RS
    R$ 6,78
    kg
  • Ovo Branco - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 178,01
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Branco
    R$ 188,37
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 200,90
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 209,26
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 168,82
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 194,84
    cx
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,05
    kg
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,09
    kg
  • Trigo Atacado - Regional
    PR
    R$ 1.211,34
    t
  • Trigo Atacado - Regional
    RS
    R$ 1.091,60
    t
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 206,04
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Santa Maria do Jetibá (ES)
    R$ 183,84
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Recife (PE)
    R$ 170,25
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Recife (PE)
    R$ 178,62
    cx

Relacionados

SUINOCULTURA 328
Anuário AI – Edição 1342
Anuário SI – Edição 327
SI – Edição 326
AI – 1341