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Internacional

Arábia Saudita restringe importações e pressiona comércio global de carne de frango

Medida sanitária amplia incertezas para exportadores e pode favorecer produção local

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Reino Unido suspende confinamento de aves ao ar livre após redução do risco de influenza aviária

A decisão da Autoridade Saudita de Alimentos e Medicamentos de proibir a importação de carne de frango crua e ovos de mesa provenientes de 40 países, a partir de 1º de março, já gera repercussões no comércio internacional de aves. A medida foi adotada como forma de prevenir a disseminação da Influenza Aviária, mas tem sido alvo de questionamentos por parte de exportadores.

Entre os países afetados pela proibição total estão Índia, China, Alemanha e Indonésia. Além disso, outras 16 nações enfrentam restrições parciais em regiões específicas, incluindo Estados Unidos, França e Canadá.

Brasil mantém protagonismo no fornecimento ao mercado saudita

Apesar das restrições ampliadas, o Brasil segue como principal fornecedor de carne de frango para a Arábia Saudita, respondendo por cerca de 70% das importações em 2025. Outros exportadores relevantes incluem Emirados Árabes Unidos, Rússia, Ucrânia e Egito.

Paralelamente, o Ministério do Meio Ambiente, Água e Agricultura da Arábia Saudita informou que a produção avícola doméstica superou 1,31 milhão de toneladas anuais, acima das 1,1 milhão de toneladas registradas em 2023. O crescimento reforça a estratégia de ampliação da autossuficiência do país.

Exportadores questionam critérios das restrições

A decisão saudita tem sido criticada por representantes do setor avícola em países afetados. No Egito, exportadores destacam que a produção destinada à exportação é realizada em granjas comerciais com elevados padrões de biosseguridade, aptas a atender exigências sanitárias internacionais.

Segundo representantes do setor, as exportações são fundamentais para a geração de divisas, utilizadas na importação de insumos estratégicos como milho e soja, essenciais para a produção de ração na avicultura.

Além disso, há questionamentos sobre a ausência de restrições a grandes fornecedores, como o Brasil e a Ucrânia, o que levanta dúvidas quanto à uniformidade dos critérios adotados.

Medida pode indicar estratégia de proteção de mercado

Analistas do setor avaliam que o alcance abrangente das restrições, incluindo países com cadeias avícolas estruturadas, pode indicar uma estratégia voltada não apenas à sanidade animal, mas também à proteção da indústria doméstica.

Embora o impacto varie entre os exportadores — sendo considerado limitado para países com baixa participação no mercado saudita — a medida tende a aumentar a volatilidade no comércio global de carne de frango, com possíveis redirecionamentos de fluxos e pressão sobre preços internacionais.

O cenário reforça a importância da sanidade avícola e da manutenção de status livre de doenças como fatores estratégicos para garantir acesso a mercados e competitividade nas exportações.

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