Pesquisa belga utiliza sistema multicâmeras e algoritmos avançados para rastrear o nível de atividade e o tempo gasto por aves em comedouros e bebedouros sob estresse térmico
Monitoramento por IA revela como frangos se comportam ao longo da produção

Compreender as mudanças comportamentais das aves ao longo do ciclo produtivo é um pilar essencial para avaliar e garantir o bem-estar animal na avicultura moderna. Diante disso, pesquisadores de institutos acadêmicos da Bélgica desenvolveram um estudo inédito para monitorar três comportamentos-chave em frangos de corte: o nível de atividade geral (baseado no deslocamento líquido por segundo) e o tempo de permanência nas zonas de comedouros e bebedouros.
O estudo utilizou um sistema de monitoramento inteligente amparado por múltiplas câmeras e inteligência artificial para mapear como a idade das aves, a exposição ao calor e a hora do dia influenciam diretamente a dinâmica do lote.
Como funciona a tecnologia de rastreamento por IA
O experimento foi conduzido ao longo de quatro rodadas de produção, totalizando 1.120 frangos da linhagem Ross 308 alojados em boxes com ambiente controlado. Para rastrear os animais individualmente, os cientistas implementaram o modelo de visão computacional YOLOv11 combinado ao algoritmo SORT (Sustained Optimal Resolution Tracking).
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O sistema funciona gerando tracklets (pequenos segmentos da trajetória de cada objeto em movimento) que são projetados em coordenadas planas e unificados entre as diferentes visões das câmeras. A tecnologia alcançou índices altíssimos de acurácia de rastreamento (Métricas: MOTA de 0,81 e IDF1 de 0,89) na análise de 1.641 segmentos de vídeo gravados entre os dias 8 e 40 de vida das aves.
O monitoramento permitiu avaliar a dinâmica de locomoção (dividida em atividade alta, média e baixa), a distância percorrida e o efeito de três turnos do dia (manhã: 9h às 12h; meio-dia: 13h às 16h; e noite: 18h às 21h), além de simular períodos induzidos de estresse térmico (29,4°C) entre os dias 29-33 e 36-40.
Idade e calor moldam o comportamento no aviário
Os dados coletados pela IA revelaram que o comportamento dos frangos de corte sofre alterações profundas de acordo com o envelhecimento e a temperatura ambiente:
Impacto do Estresse Térmico: Quando expostas ao calor extremo (29,4°C), as aves aumentaram significativamente o tempo de permanência na zona dos bebedouros e reduziram as visitas aos comedouros. Curiosamente, o nível de atividade geral não foi afetado pelo calor.
Efeito da Idade: A dinâmica de movimentação muda drasticamente com o avançar do ciclo. As atividades de alta intensidade diminuem de forma precoce e rápida. À medida que envelhecem e ganham peso, os frangos passam a adotar comportamentos de baixa intensidade, que dominam o final do ciclo.
Período do Dia: O comportamento também varia conforme o relógio. No período da noite, após passarem pelo pico de calor do meio-dia, as aves apresentam um efeito “rebote”, aumentando a atividade e a busca por ração no comedouro.
Próximo passo: Validação em escala comercial
Embora a tecnologia tenha se provado uma ferramenta científica revolucionária para a identificação de padrões de bem-estar, os autores do relatório pontuam algumas limitações que precisam ser superadas.
A classificação de comportamento foi restrita a três categorias e o consumo de água/ração foi inferido por proximidade física das zonas, o que pode não refletir a ingestão real. Além disso, o teste foi feito em condições controladas de laboratório e com baixa densidade populacional (14 kg/m²).
Como os aviários comerciais operam com dinâmicas sociais diferentes, maior densidade e maior competição por espaço, os pesquisadores alertam que o sistema ainda precisa passar por validações em campo aberto e em escala industrial antes de ser comercializado como uma ferramenta prática de manejo para os avicultores.
Fonte: Poultry World























