Estratégia busca abrir novos mercados na União Europeia, no Sudeste Asiático e na Ásia Central para reduzir a dependência do comércio norte-americano
ApexBrasil anuncia plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações

Após a confirmação de tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou que lançará, em agosto, um plano de R$ 130 milhões para diversificar os destinos das vendas externas do país e mitigar os impactos das sobretaxas americanas.
Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a agência executará o plano em parceria com 57 setores econômicos, englobando cerca de 2,4 mil empresas exportadoras.
De acordo com o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, a iniciativa representa uma mudança de abordagem frente às transformações globais:
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“A expansão para outros mercados a gente já faz. O que vamos trabalhar agora é a diversificação — um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional.”
Novos mercados no radar do Brasil
Diante das barreiras tarifárias impostas por Washington, as ações da ApexBrasil focarão prioritariamente em regiões estratégicas e de forte expansão econômica:
União Europeia: Impulsionada pelos avanços nas negociações do acordo com o Mercosul.
Sudeste Asiático (Asean): Países como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, que registram ritmo acelerado de crescimento econômico.
Ásia Central: Cazaquistão e Uzbequistão, nações que apresentam crescimento do PIB entre 7% e 8% ao ano, com população jovem e forte demanda por produtos fornecidos pelo Brasil.
Além disso, negociações em andamento do Mercosul com Índia, Japão e Canadá são vistas como oportunidades cruciais para pulverizar o comércio exterior brasileiro.
Raio-X do tarifaço americano
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros com início em 22 de julho, sob a alegação de supostas práticas comerciais desleais. O governo brasileiro rejeita a justificativa, argumentando que a medida possui caráter político e exigia aberturas unilaterais de mercado.
Volume afetado: As novas medidas atingem US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras (com base nos US$ 38 bilhões comercializados com os EUA em 2025).
Produtos isentos: Negociações conseguiram expandir a lista de itens livres de sobretaxas de 615 para 699 produtos, preservando US$ 22,8 bilhões do montante exportado.
Queda inicial: No primeiro semestre de 2026, as exportações para os EUA já haviam encolhido cerca de US$ 2,6 bilhões em decorrência das barreiras aplicadas anteriormente.
Reorientação de vendas e atração de investimentos
Apesar da retração no mercado americano, o Brasil conseguiu compensar parte das perdas aumentando significativamente suas vendas para outros parceiros no primeiro semestre de 2026:
China: Aumento de US$ 10,5 bilhões nas exportações.
União Europeia: Crescimento de US$ 3,1 bilhões.
Índia: Alta de US$ 2,5 bilhões.
Segundo Müller, 72% das 2,4 mil empresas atendidas pela ApexBrasil que vendiam para os EUA já haviam adicionado ao menos um novo país de destino às suas operações entre junho de 2025 e maio de 2026.
Mesmo sob o cenário de tensões comerciais com Washington, o Brasil encerrou o último ano consolidado como o 5º maior destino global de Investimento Estrangeiro Direto (IED), somando US$ 77 bilhões e registrando uma alta de 22% na captação de recursos externos.
Fonte: Agência Brasil























