Relatório da Comissão Europeia prevê crescimento residual de 0,3% na produção de suínos, enquanto casos de Peste Suína Africana na Espanha, tarifas chinesas e avanço do Brasil na Ásia reduzem as exportações do bloco
Internacional
Produção de carne suína na UE deve se estabilizar após ciclo de sobreoferta
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A produção de carne suína na União Europeia (UE) deve entrar em uma fase de estabilização durante o ano de 2026, interrompendo a sequência de dois anos de expansão operacional que gerou um cenário de sobreoferta e forte pressão descendente sobre as cotações do setor.
De acordo com a atualização do relatório de curto prazo da Comissão Europeia, a produção líquida de carne suína do bloco registrará uma ligeira alta de 0,3%, atingindo 22,1 milhões de toneladas. O avanço acompanha a expansão de 0,6% no plantel de matrizes (fêmeas reprodutoras). O consumo per capita no continente deve permanecer inalterado em 33,1 kg por habitante.
Balanço da oferta e comércio exterior da União Europeia (2026)
| Indicador do mercado de carnes | Volume previsto (2026) | Variação anual (2026 vs 2025) |
| Produção líquida de carne suína | 22,1 milhões de toneladas | +0,3% |
| Rebanho de matrizes suínas | — | +0,6% |
| Consumo per capita de carne suína | 33,1 kg / habitante | 0,0% (Estável) |
| Importações de carne suína | 94,9 mil toneladas | -3,0% |
| Exportações de carne suína | 2,97 milhões de toneladas | -0,5% |
| Produção líquida de carne bovina/vitelo | — | -2,0% |
| Produção líquida de carne ovina (ovinos/caprinos) | — | -4,0% |
Fatores pressionadores sobre o comércio exterior
As exportações de carne suína da UE devem registrar queda de 0,5% no acumulado de 2026, somando 2,97 milhões de toneladas. Nos primeiros cinco meses do ano, os embarques europeus já haviam recuado 1,9% na comparação anual.
Segundo análise do Agriculture and Horticulture Development Board (AHDB), três vetores centrais justificam a perda de ritmo das vendas externas:
- Surtos de Peste Suína Africana (PSA) na Espanha: A presença da doença no principal produtor do bloco provocou restrições sanitárias e forçou o redirecionamento de volumes que seriam exportados de volta para o mercado interno europeu;
- Barreiras comerciais da China: Aplicação de tarifas antidumping por parte do governo chinês sobre a carne suína europeia;
- Concorrência do Brasil na Ásia: Expansão acelerada da presença do agronegócio brasileiro nos mercados asiáticos, oferecendo preços mais competitivos.
O redirecionamento do excedente espanhol para o mercado comunitário acentuou a queda dos preços do suíno na UE e causou impactos colaterais no mercado de carnes do Reino Unido.
De acordo com o relatório da Comissão Europeia divulgado pelo AHDB, “apesar dessas pressões, a produção total de carne suína em 2026 permanecerá relativamente estável. A produção líquida somada ao saldo da balança comercial resultará em um aumento de 0,3% na disponibilidade interna da proteína, totalizando 22,2 milhões de toneladas.”
Retração nas frentes bovina e ovina
O relatório da Comissão Europeia aponta retração na oferta de outras proteínas animais na Europa ao longo de 2026:
- Carne bovina e vitelo: A produção líquida deve recuar 2,0% em relação a 2025, acompanhada por aumento nas importações e retração nas exportações do bloco.
- Carne ovina: Apresenta a maior oscilação do período, com queda prevista de 4,0% na produção líquida, elevação de 7,0% no volume importado de países terceiros e redução de 3,0% nas exportações.
Fonte: Pig World
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