Além do domínio no setor de carnes, controladores da J&F exercem chancelaria corporativa paralela em áreas estratégicas de soberania e geopolítica global
Agronegócio
Irmãos Batista expandem império para terras raras, energia nuclear e defesa
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Uma reportagem publicada pelo portal Relatório Reservado aponta que os empresários Joesley e Wesley Batista vêm consolidando uma diplomacia corporativa paralela que extrapola as fronteiras do mercado de proteína animal. Circulando entre Brasília, Washington, Pequim e Caracas, os controladores do grupo J&F expandiram sua atuação para setores de alta relevância estratégica e segurança nacional, englobando minerais críticos, geração nuclear e a base industrial de defesa.
De acordo com o Relatório Reservado, um dos movimentos centrais dessa nova fase envolve a mineradora Serra Verde, em Goiás, detentora da maior reserva brasileira de terras raras pesadas. Os elementos extraídos na jazida — como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio — são vitais para a fabricação de ímãs de alta performance aplicados na indústria militar norte-americana, incluindo caças F-35 e mísseis. A publicação revela que agências governamentais dos Estados Unidos e o próprio Pentágono estruturaram aportes bilionários para assegurar o fornecimento desse material, cabendo aos empresários brasileiros a interlocução direta no negócio e a preservação de uma imagem de soberania nacional sobre o ativo.
A apuração do portal detalha ainda a entrada dos irmãos Batista no setor energético e de defesa em solo brasileiro. No segmento nuclear, o grupo adquiriu participação na Eletronuclear por meio da Âmbar Energia, mirando a verticalização da cadeia — desde a exploração das reservas de urânio até a geração de energia no complexo de Angra. No setor militar, a compra da Avibras Aerospacial, fabricante do sistema de artilharia Astros e detentora de tecnologia de mísseis, colocou a holding no centro da Base Industrial de Defesa do país.
Segundo a análise do Relatório Reservado, o suporte financeiro e geopolítico para essa diversificação repousa no papel crucial da JBS na segurança alimentar global. O controle de um quarto do abate bovino nos Estados Unidos e a liderança no fornecimento de carne para o mercado chinês conferem aos empresários um nível de trânsito diplomático que independe das trocas de comando governamental. Essa influência estende-se ainda a negócios no setor petrolífero venezuelano, com a compra de participações na Faixa do Orinoco, reafirmando a capacidade do grupo em transitar nas zonas de convergência entre o interesse privado e os assuntos de Estado.
Fonte: Relatório Reservado
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