Aceleração das biorrefinarias de etanol de milho e abertura de mercados internacionais impulsionam a oferta de grãos secos de destilaria, fortalecendo a nutrição animal e a rentabilidade do setor
Grãos
Produção brasileira de DDG deve superar 15 milhões de toneladas até 2030
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A produção nacional de grãos secos de destilaria (DDG, na sigla em inglês para Dried Distillers Grains), principal coproduto do processamento de etanol de milho utilizado na nutrição animal, deve ultrapassar a marca de 15 milhões de toneladas até o final desta década. A projeção é da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e acompanha o ritmo acelerado de expansão das biorrefinarias instaladas no Brasil, que transformam o cereal em combustível, óleo e insumos proteicos de alto valor agregado.
Panorama do Mercado de DDG e Processamento de Milho
| Indicador / Parâmetro | Métrica de Desempenho | Impacto na Cadeia Produtiva |
| Projeção de Produção (2030) | > 15 milhões de toneladas | Salto volumétrico impulsionado pela expansão das usinas de etanol |
| Exportações para a China (Fev-Jun/26) | 262,1 mil toneladas | Consolidação da China como principal comprador do DDG brasileiro |
| Digestibilidade (Milho Floculado) | 90% a 95% do amido | Elevação da eficiência alimentar em relação ao milho convencional (~80%) |
| Abertura de Mercados Internacionais | China e Chile (2026) | Diversificação de receita e ampliação do alcance comercial |
Destaques da Expansão e Inovação Tecnológica
- Internacionalização acelerada: A autorização sanitária obtida junto à China em fevereiro de 2026 transformou o país asiático no principal destino do DDG nacional em poucos meses. O Chile também abriu as portas para o produto brasileiro no mesmo ano.
- Diversificação da receita usineira: O DDG deixou de ser um subproduto secundário para se tornar um pilar estratégico no faturamento das usinas, remunerando investimentos em logística, automação e armazenagem.
- Tecnologia de floculação no campo: A adoção de processos industriais com vapor em alta temperatura e compressão por rolos altera a estrutura molecular do amido do milho, aumentando a absorção de nutrientes por bovinos em confinamento, aves e suínos.
- Atração de novos investimentos: O avanço da cadeia estimula a construção de fábricas de ração integradas às usinas, além de projetos de geração de energia e proteína animal nas regiões produtoras de grãos.
De acordo com a CEO da Fertron e diretora estadual do Ciesp-SP, Ágata Turini, a industrialização do milho fortalece um ecossistema produtivo complexo e rentável: “A expansão do etanol de milho está criando uma cadeia que vai muito além do combustível. O grão também gera óleo e ingredientes de alta densidade proteica para a alimentação animal, aumentando o aproveitamento da matéria-prima e a geração de valor. O DDG deixa de ocupar uma posição secundária e passa a contribuir diretamente para a rentabilidade das plantas industriais.”
Segundo o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Luiz Gustavo Nussio, o aperfeiçoamento do processamento do milho traz ganhos diretos na conversão alimentar: “Na floculação, a digestibilidade do amido pode atingir entre 90% e 95%, enquanto no cereal processado de maneira convencional esse índice fica próximo de 80%. Em operações de grande escala, pequenas variações na conversão alimentar provocam impactos profundos no custo final da arroba ou do quilo de carne produzido.”
Complementando a visão de longo prazo para o setor, Ágata Turini ressalta que o avanço exige padronização e rigor sanitário: “Em operações intensivas, a análise passa a considerar não apenas o preço da tonelada do milho, mas quanto resultado nutricional ela pode gerar. O Brasil já possui escala agrícola e uma indústria de biocombustíveis consolidada. O próximo passo é agregar valor ao milho, transformando o grão em energia, ingredientes de ponta e proteína com alcance global.”
Fonte: Canal Rural
























