Firmeza na demanda internacional, alta do dólar e estoques globais mais enxutos impulsionam cotações e melhoram a perspectiva de rentabilidade para a safra 2026/2027
Grãos
Soja acumula alta de 27,5% em sete meses e saca atinge R$ 161,12 no Porto de Paranaguá
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Os preços da soja no Brasil registram expressiva recuperação no mercado físico, impulsionados pelo aquecimento da demanda externa, pela valorização cambial e pelas incertezas climáticas. Após uma trajetória de queda registrada nos primeiros meses de 2025, a cotação da oleaginosa no Porto de Paranaguá (PR) acumulou alta de 27,5% nos últimos sete meses, atingindo a média de R$ 161,12 por saca de 60 kg em setembro. O movimento reverte as pressões anteriores e melhora os indicadores de rentabilidade para os produtores no início do novo ciclo agrícola.
Trajetória de preços e vetores de sustentação do mercado
A combinação de estoques mundiais mais enxutos, forte apetite comprador da China e desaceleração na expansão da área plantada no Brasil reconfigura o mercado e projeta cotações médias acima de US$ 13 por bushel para a safra 2026/2027.
- Evolução da cotação em Paranaguá: Dos R$ 141,83 por saca registrados no final de 2024, os preços recuaram para R$ 126,33 no início de 2025 (uma queda de quase 11%), até engatarem reação contínua para alcançar R$ 161,12 em setembro — acumulando alta de 13,6% frente ao patamar de dois anos atrás.
- Retração na oferta e câmbio: Produtores mantêm resistência em negociar grandes volumes, enquanto a valorização do dólar frente ao Real e as preocupações com o clima elevam os prêmios de risco no mercado internacional.
- Demanda chinesa e estoques globais: A China intensificou as compras de soja norte-americana, somando 12 milhões de toneladas já adquiridas. Esse movimento ocorre em meio à redução dos estoques globais, tornando as cotações mais sensíveis a eventuais perdas produtivas.
Projeções para a safra 2026/2027
- Preços internacionais: A expectativa do setor aponta para uma cotação média sustentada acima de US$ 13,00 por bushel na Bolsa de Chicago.
- Frenagem na expansão de área: A área destinada à soja no Brasil deve registrar crescimento inferior a 1% na temporada 2026/2027, configurando o menor avanço territorial dos últimos 20 anos.
- Recuperação da rentabilidade: Mesmo com a desaceleração na abertura de novas áreas, a elevação dos preços melhora as margens operacionais do produtor, com destaque para a recomposição do retorno financeiro no médio-norte de Mato Grosso.
A recuperação do mercado de soja consolida uma virada de ciclo importante para o agronegócio nacional. Com o produtor mais cauteloso na fixação de contratos e a demanda global aquecida, o comportamento do clima durante o plantio da safra de verão e os desdobramentos do comércio internacional serão decisivos para a manutenção desses patamares de preços no encerramento do ano.
Da Redação, com informações do Canal Rural
























