“A coexistência de mcr-1 e mcr-3 em isolados de E.Coli pode representar uma enorme ameaça à saúde pública”, afirma pesquisador
Genes resistentes a antibióticos são encontrados em frangos na China

Uma equipe de pesquisadores isolou bactérias Escherichia coli resistentes à colistina em uma fazenda comercial de aves na China, de acordo com publicação da holandesa Poultry World. A colistina é um antibiótico de último recurso contra certas bactérias e um dos mais utilizados na avicultura e suinocultura.
Em pesquisas publicadas em Antimicrobial Agents and Chemotherapy, cientistas descobriram que a E. coli das galinhas frequentemente carregava múltiplos genes resistentes, incluindo uma cópia do gene de resistência à colistina mcr-1 e uma cópia do gene de resistência, mcr-3.
Descoberta representa enorme ameaça à saúde humana
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As evidências foram encontradas como parte da vigilância contínua de pesquisadores do Laboratório Chave da Província de Sichuan, na Universidade de Sichuan, que coletaram amostras retais de aves selecionadas aleatoriamente em várias granjas comerciais de aves na China.
Conforme a Poultry World, este é o primeiro relato desses dois genes em um único plasmídeo e despertou profunda preocupação do principal autor do estudo, Dr. Hongning Wang.
O Dr. Wang, professor de doenças animais e prevenção e segurança alimentar na Universidade de Sichuan, disse: “A coexistência de mcr-1 e mcr-3 em isolados de E.Coli pode representar uma enorme ameaça à saúde pública”.
Espalhando genes resistentes
Plasmídeos são elementos genéricos que podem pular de uma bactéria para outra e, às vezes, de uma espécie para outra, frequentemente disseminando genes de resistência, afirma a publicação.
Os genes de resistência estavam contidos em um tipo de plasmídeo conhecido como IncP. Os pesquisadores também encontraram pedaços circulares de DNA contendo mcr-3, derivados de plasmídeos do IncP. Esses chamados intermediários circulares geralmente contêm “sequências de inserção” que encorajam sua integração em outros plasmídeos, acelerando a disseminação dos genes de resistência.
Uma era pós-antibiótica
O Dr. Wang acrescentou o “este estudo foi originalmente projetado para isolar linhagens portadoras dos genes mcr-1, mas é surpreendente que já existam cepas portadoras de múltiplos genes mcr em fazendas de frangos”.
“A aparente propagação do mesmo plasmídeo IncP com 1 ou 2 mcr genes entre diferentes espécies e um paciente, o ambiente hospitalar e produção animal é preocupante”, acrescentou.
Os genes de resistência à colistina foram apenas descobertos em 2016 e existem atualmente cinco e algumas variantes dentro destas.
“É hora de deixar o público entender as graves consequências do abuso de antibióticos. Se a última linha de antibióticos for violada por bactérias, nos encontraremos na era pós-antibióticos”, acrescentou.





















