No dia 30 de novembro, o mais novo complexo industrial do Acre completou um ano de operação
Em seu primeiro ano, Dom Porquito vence desafios e conquista mercados

Quando raia o sol nos municípios de Epitaciolândia e Brasileia, região do Alto Acre, uma nova força econômica ganha mais um dia para se consolidar. Tanto no campo, quanto na cidade, cada elemento que contribui para a produção de suínos, da empresa Dom Porquito, caminha para seus afazeres que garantem uma carne de qualidade e um mercado aberto. No dia 30 de novembro, o mais novo complexo industrial do Acre completou um ano de operação.
No Ramal Cumaru, Estrada Velha de Epitaciolândia, o jovem Gleidson dos Santos, de 35 anos, desperta e após os primeiros goles de café segue para a lida diária. A primeira tarefa é no galpão que abriga 295 suínos: limpar todas as baias e os animais, colocar a ração no local indicado, averiguar se o sistema de água está em pleno funcionamento e pronto. O trabalho pesado do dia está praticamente completo.
“Este período em que estou cuidando dos suínos ajudou muito para melhorar minha renda”, afirma Gleidson. Dependendo do lote de animais, a cada quatro meses uma família pode receber de quatro a sete mil reais, tornando-se uma importante complementação da renda do agricultor familiar. “Durante o dia todo, depois da limpeza pela manhã, a gente só precisa ficar observando se algo falha no sistema dos galpões. Com isso podemos trabalhar em outras coisas, no meu caso vou para a roça e também trabalho com carpintaria”, assegura.
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A criação de suínos está ganhando importante espaço entre os pequenos e médios produtores da região. O galpão, que pode ter até 300 animais de quase 120 quilos, é só o início. Com o aumento das vendas e a consolidação do mercado da Dom Porquito, os mais de 40 produtores fornecedores de suínos ganharão novos companheiros e poderão aumentar o número de animais que criam, melhorando, assim, a renda dessas famílias.
Para dar sequência a essa cadeia produtiva, na BR-317, em frente à indústria Acre Aves, cerca de 350 funcionários chegam para as diversas ocupações no frigorífico da Dom Porquito. O mecânico Celso Aguiar está na corporação desde seu início, na terraplanagem do terreno, até o presente momento, responsável por quase todas as máquinas nos setores de abate e desossa. “Há alguns dias, fui fazer um curso para aprender a mexer nas máquinas dos embutidos”, afirma, empolgado, Celso, que é nascido em Brasileia.
“Antes eu era mecânico só de máquina pesada, aqui é outra área. Aprendi aqui a ser mecânico industrial. Minha vida mudou muito, já fui até para fora do estado fazer curso. Mudou 100%”, continua a conversa o trabalhador. Os empolgantes relatos de funcionários e produtores dos dois municípios representam bem a importância, para a região, de uma cadeia produtiva organizada e eficiente. Em um momento de crise financeira no Brasil e no mundo, duas pequenas cidades, com pouco mais de 32 mil habitantes, duas indústrias geram emprego e renda, levando tranquilidade para as famílias.
Mercado de suínos
Outra etapa dessa cadeia é a venda dos produtos. Hoje, carcaças inteiras de porcos e uma variedade de cortes saem da indústria, sob a marca Mister Pig, para os estados de Rondônia, Amazonas e Roraima, além de quase todos os municípios acreanos. Mas o mercado tem grandes possibilidades, inclusive internacionais. A partir de fevereiro de 2017, a empresa acreana vai enviar dois containers para um grupo de supermercados em Honk Kong, na China.
Em sua sala, após negociar uma importante venda para Rondônia, Paulo Santoyo, diretor-presidente da empresa, fala dos percalços desse primeiro ano de funcionamento. “Foi um ano desafiador, além da crise financeira, as commodities como soja e milho tiveram seus preços muito em alta. Com isso temos custos elevados e a demanda de carne caindo, devido a queda do poder aquisitivo de parte da população”, afirma o empresário.
Para transpor essas barreiras, a grupo de sócios e a empresa tiveram que ser criativos. Desistir não passa pela cabeça desse time formado por produtores, mecânicos, administradores, veterinários, empresários, entre outros tantos trabalhadores.
“Tivemos que criar uma série de produtos novos para aumentar a linha de segmento. Diversificamos na linha dos produtores populares, com preços mais acessíveis. Fizemos cortes com porções individuais e caixas para o varejo menores. Assim o valor final fica mais baixo e podemos atender um número maior de clientes.” disse Paulo Santoyo




















