Mapeamento foi feito pela Unesp em parceria com a Prefeitura de Rio Claro.
Estudo da Unesp revela desinteresse por agricultura familiar

Um levantamento inédito do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) traçou o perfil das propriedades rurais de Rio Claro (SP) e deve permitir a implantação de políticas públicas para aumentar a renda das famílias que vivem no campo por meio da produção de alimentos e do turismo.
A pesquisa, feita em parceria com a Prefeitura, apontou que apenas 20% dos 516 sítios e chácaras com até 50 hectares têm agricultura familiar e que exemplos como o do casal Agenor Soares de Moura e Sueli Zamboni Soares são raros.
Eles mantêm uma propriedade de quatro hectares onde produzem frutas e verduras, e garantem que o trabalho compensa. “É o amor que a gente tem pelas coisas, pela plantação, pela terra, a gente faz com carinho mesmo”, disse Agenor.
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Até pouco tempo, eles vendiam apenas para restaurantes. Agora, boa parte da produção vai para feiras e o casal também participa do Programa de Aquisição de Alimentos. “O meu pai foi agricultor. Quando criança, a gente ajudava muito os pais na roça, então essa era a minha paixão”, explicou Sueli.
Pesquisa
“Na realidade, o que a gente tem no município são propriedades herdadas há algum tempo e que estão lá como segunda residência, como áreas de lazer”, contou a professora Darlene de Oliveira Ferreira, coordenadora da pesquisa. “Nós não podemos, de maneira alguma, obrigar esses proprietários a fazer algum tipo de utilização, mas eles podem sofrer algum tipo de estímulo”, completou.
O levantamento revelou que mais de 50% das propriedades têm nascentes, uma boa notícia, mas mostrou também que a monocultura está presente em mais da metade das áreas analisadas e isso preocupa os pesquisadores.
“Quanto mais diverso é o espaço rural, menos ele sofre impactos ambientais. A monocultura traz problemas ambientais e problemas de ordem social também, ela não está gerando emprego”, justificou Darlene.
Turismo
Turismólogo da Prefeitura, Ronnei Grella comentou que, com o estudo, cabe à administração municipal adotar novas medidas.
“É agora a Prefeitura sentar com as demais secretarias e departamentos, analisar minuciosamente esse trabalho e começar a implantar ações para os pequenos proprietários rurais, valorizando assim esses pequenos proprietários”, disse.
E já há empresários aproveitando o potencial da cidade mesmo antes desses programas. Erick Zurita é um deles. Ele e o pai começaram a investir na produção de cachaça na região do bairro Mata Negra, a cerca de 20 km do Centro, e estão atraindo turistas interessados no restaurante montado pela família e, claro, na bebida.
Toda a produção é feita no local e a cachaça já ganhou duas vezes o título de melhor do país. “O processo inteiro de fabricação, desde o plantio da cana, os tratos culturais, passando pela fermentação, destilação, o envelhecimento, o engarrafamento, é tudo sem química nenhuma, todo o processo certificado, orgânico”, contou Erick





















