Até bem pouco tempo, para conseguir suprir as exigências do mercado, somente conseguíamos produzir esse produto fazendo a desossa de pernas de forma manual.
Por que agora a desossa de perna inteira automática ficou viável? – Por Antonino Mascarenhas

O Brasil é o maior exportador de pernas inteiras de aves desossadas do mundo, cumprindo todas as exigências dos importadores, sendo a principal delas a do Japão.
Até bem pouco tempo, para conseguir suprir as exigências do mercado, somente conseguíamos produzir esse produto fazendo a desossa de pernas de forma manual. No Brasil, um colaborador consegue, em média, desossar 2,8 a 3,2 pernas por minuto, deixando de 10 a 12 gramas de carne presa nos ossos.
Um problema comum encontrado em grande parte dos abatedouros, que fazem a desossa manual de pernas inteiras, é a alta rotatividade de funcionários. Alguns abatedouros relatam taxas de rotatividade que chegam a 50% ou mais nesse processo.
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Trata-se de um trabalho bastante repetitivo, que requer muita habilidade e atenção por parte do colaborador e pode causar muitos problemas ergométricos. O alto custo de colaboradores afastados devido a esse tipo de problema, associado ao treinamento para desossadores, normalmente não é considerado nas análises de retorno de investimento, mas deveria ser. Somente este fator já justificaria a troca da desossa manual pela operação de desossa de pernas inteiras de forma automática.
Em média são gastas de quatro a seis semanas para o treinamento de um colaborador, para que seja um desossador eficiente no processo de desossa de pernas inteiras.
Já o treinamento para operar um sistema automatizado é de menos de sete dias. Além disso, com o uso do equipamento de desossa automática de pernas inteiras eliminam-se os problemas de ergonomia neste setor, resultando também na redução da rotatividade de funcionários.
A perna inteira desossada é um produto que tem um alto custo e as empresas brasileiras preferem exportá-lo a colocá-lo no mercado interno. Possui excelente qualidade e pode ser usado de várias formas pelo consumidor, tais como: bifes grelhados com ou sem pele, cortes em tiras fritas para tira gosto, strogonoff, picadinho em cubos para fazer um tipo de goulash, pizzas etc… etc… Isso tudo, sem falar do delicioso sabor, muito apreciado pelos brasileiros.
Há alguns anos uma empresa desenvolveu uma máquina robótica para desossar as pernas inteiras de aves de forma automática. A máquina robótica faz 16 peças por minuto e deixa aproximadamente de 6 a 8 gramas de carne presa aos ossos, superando em muito o rendimento da desossa manual. O investimento é alto e a manutenção anual deste equipamento é extremamente elevada. Mesmo assim, o processo ainda é mais lucrativo e viável do que fazer a desossa de forma manual, já que o custo final do produto fica relativamente mais baixo. Assim, esta máquina tem sido um sucesso no mercado brasileiro.
Recentemente, há menos de quatro anos, uma empresa holandesa desenvolveu uma máquina de desossa de perna inteira automática, que supera de forma incondicional a anterior, por ser inteiramente mecânica, simples, de fácil manutenção e higienização, cujo custo de investimento e manutenção é muito inferior ao da máquina robótica.
A máquina holandesa veio para viabilizar a desossa maciça de pernas inteiras de forma automática.
Este equipamento faz três tipos de produtos:
01) desossa a perna inteira ou
02) somente a coxa ou
03) somente a sobrecoxa.
A uma velocidade de 6.000 peças por hora, ou seja, 100 peças por minuto, ela é seis vezes mais rápida que a máquina robótica, deixando aproximadamente de 6 a 8 gramas de carne nos ossos, além de aceitar diferentes pesos e tamanhos de pernas.
Com este tipo de equipamento a indústria avícola tem um custo de produção significativamente menor que a desossa manual ou a máquina robótica e, talvez desta forma, tenha a oportunidade de oferecer no mercado interno, esse produto tão nobre e procurado pelos brasileiros. A dona de casa brasileira tem procurado cada vez mais facilitar sua vida, utilizando produtos de fácil manuseio que simplifiquem seu dia a dia na cozinha.
Um teste feito fora do Brasil com a máquina holandesa mostrou os seguintes resultados:
Após a instalação da desossadora automática de pernas inteiras houve um aumento médio adicional de 4% no seu rendimento operacional, com redução de mão de obra e aumento em carne desossada.
Além disto, os rendimentos consistentes foram um dos pontos mais importantes, sendo a palavra-chave ao compararmos com as operações de desossa manuais.
Quando analisamos os rendimentos em números fica evidente que os com a máquina automática holandesa não desviam mais do que 1% num período de quatro semanas, ao passo que o rendimento com o sistema de desossa manual tem um desvio de mais de 3% no mesmo período.
Em outras palavras, após a instalação da desossadora automática de pernas inteiras o abatedouro ficou independe da performance individual dos colaboradores e o custo do trabalho por homem/hora ficou consideravelmente menor.
Com relação à análise de retorno do investimento, considerando afastamentos, rotatividade, custo de manutenção e rendimento de carne desossada, o sistema de desossa automática de pernas inteiras oferece mais benefícios financeiros e rápido retorno de investimento. A maioria dos clientes que investiu neste sistema reportou um retorno de investimento no período de 12 a 14 meses.




















