Presidentes dos países fizeram teleconferência com o primeiro-ministro chinês no primeiro evento relativo ao Mercosul sem a participação do Paraguai.
Brasil, Argentina e Uruguai iniciam negociações com a China

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, e Brasil, Argentina e Uruguai, os três países que estão como membros plenos do Mercosul, anunciaram de modo oficial o interesse em firmar uma declaração conjunta estabelecendo uma “aliança estratégica global” entre o país asiático e o bloco econômico. Wen fez o anúncio em uma teleconferência organizada pela presidente argentina Cristina Kirchner na Casa Rosada, com a participação da brasileira Dilma Rousseff e do uruguaio José Mujica.
Este foi o primeiro evento relativo ao Mercosul sem a participação do Paraguai. O quarto membro do bloco foi suspenso neste domingo em razão da destituição do presidente Fernando Lugo pelo Congresso daquele país. A suspensão paraguaia viabilizou uma postura comum do bloco, já que o país era o único do Mercosul que não reconhece o governo de Pequim como o representante da China. O Paraguai ainda concede este “status” ao governo de Taiwan.
“A China e o Mercosul possuem interesses comuns e amplas perspectivas”, disse Wen, que está encerrando uma visita a Buenos Aires para celebrar os quarenta anos de relação entre os dois países. “Estamos dispostos a coordenar posições comuns nos temas internacionais e a desenvolver ainda mais o nosso intercâmbio. A China quer uma frente comum”, afirmou o dirigente chinês, que deixou claro o objetivo de abrir caminho para um tratado de livre comércio. “Temos que desenvolver os estudos de viabilidade para isso”, disse o premier.
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Ao se pronunciar, Dilma evitou tratar dessa possibilidade, centrando sua fala na possibilidade de uma ação conjunta com a China na discussão de iniciativas para fazer frente à crise econômica global. Durante a cúpula Rio+20, encerrada na semana passada, Brasil e China já haviam anunciado um acordo para fortalecimento mútuo de reservas em moeda estrangeira. “É preciso evitar que a crise contamine nossos mercados e provoque consequências que não desejamos. Sabemos que esta é uma crise de mercado e que os Estados Unidos e a União Europeia estão com seus potenciais comprometidos. É estratégico construir um relacionamento produtivo com a China”, disse a presidente.
O Brasil receberá na cúpula do Mercosul em Mendoza, nesta quinta-feira, a presidência pro-tempore do bloco para os próximos seis meses, inicialmente prevista para ser entregue ao Paraguai. A presidente brasileira confirmou que a possibilidade de uma aliança estratégica global com a China “será avaliada” no encontro.
Tanto Mujica quanto Cristina Kirchner mencionaram a possibilidade da aliança com os chineses derivar em ampliação do intercâmbio comercial. “A China é o grande comprador e o grande vendedor de nossa época. E temos que vender mais com maior valor agregado”, afirmou o presidente uruguaio. “A vinculação com a China é uma oportunidade histórica para o Mercosul, para agregar valor para nossa matéria prima, gerando trabalho para a nossa gente”, concluiu a presidente argentina.























