A avicultura possui importante função econômica e social no Espírito Santo. O setor vem crescendo há mais de seis décadas e contribui para o desenvolvimento do Estado. No entanto, abastecimento de milho e logística ainda prejudicam os resultados da cadeia.
Uma história de sucesso
Quando Octaviano Santos, então prefeito do município de Domingos Martins (ES) apresentou um plano para o desenvolvimento da atividade avícola capixaba ao interventor do Estado, Jones dos Santos Neves, no século XIX*, certamente ele não imaginava que a atividade ganharia projeção nacional. Desde sua profissionalização iniciada em meados de 1950, a avicultura no Espírito Santo tornou-se não apenas uma opção de geração de trabalho e renda, mas também uma grande catalisadora da economia rural capixaba na medida em que seus resíduos e sua produção de insumos alimentavam economicamente outros sub-setores também importantes como a produção hortifruticultora e a indústria de embalagens.
De acordo com o secretário executivo da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (Aves), Nélio Hand, no decorrer das décadas de 70, 80 e 90 – após o aumento da concorrência, em especial com os avicultores do Sul do País – os produtores capixabas com melhor disponibilidade de recursos financeiros começaram a investir e aprimorar sua operação, construindo instalações capazes de processar sua produção própria como fábricas de ração, pequenos abatedouros etc. Novos métodos e técnicas foram buscados e introduzidos no setor permitindo que os lotes produzissem mais precocemente ovos e aves prontas para abate. Estas iniciativas colocaram a atividade avícola capixaba, num primeiro momento, em condições igualitárias com a produção dos demais Estados das regiões Sudeste e Sul. “Nossa avicultura cresceu e se desenvolveu graças aos produtores que tiveram uma visão de profissionalismo na atividade. Nossos setores estão entre os melhores do País em termos de tecnologia e índices técnicos”, relata Hand.
Já nos dias atuais, a avicultura do Espírito Santo comemora seu desenvolvimento. Hand destaca o tamanho da avicultura de postura estadual. Segundo ele, cerca de 10 % da produção brasileira de ovos é oriunda do ES e Santa Maria de Jetibá é o segundo município em produção de ovos de consumo em nível nacional, ficando apenas atrás de Bastos (SP). Já na avicultura de corte, Hand ressalta a mudança na forma de produção do setor. “Nos últimos cinco anos o segmento vem investindo na indústria e no ano de 2010 iniciamos a comercialização de frango abatido para países árabes, África e Ásia”, comemora.
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Apesar dos avanços apresentados por Hand em mais de 60 anos de crescimento da avicultura capixaba, o secretário pondera quando o assunto envolve o abastecimento de milho e outros insumos, que são trazidos do Centro-Oeste. Para ele, este é o grande entrave para o maior crescimento da atividade avícola e de outros setores produtivos no Espírito Santo. “Temos que conviver com custos geralmente acima aos que são verificados em outros centros de produção avícola”, afirma Hand. “A atividade capixaba, assim como a nacional, vem se surpreendendo com a alta de mais de 60% no custo do milho. Esse fator fez com que os nossos dois principais segmentos [postura comercial e frango de corte] passassem a trabalhar no vermelho em maior parte desse período”, lamenta. Mais um fator agravante destacado pelo representante da Aves são os leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com Hand, o Estado ficou impedido de participar dos leilões específicos do Governo Federal, a partir do último trimestre de 2010, e o produtor teve que passar a adquirir milho no mercado paralelo com custo mais elevado.
Outras considerações feitas pelo secretário envolvem a regularização de pontos de abate e registros de granjas – que são deficientes. “Vale ressaltar o empenho do setor quanto ao registro das granjas. Várias estão procurando viabilizar os processos de registro, mesmo encontrando entraves vinculados à burocracias e quesitos não condizentes com a nossa realidade”, reclama. “A logística também é um aspecto preponderante e também carecemos de um alinhamento tributário a fim de proteger o mercado interno de concorrência desleal e viabilização de subsídios, via créditos de ICMS, visando igualdade com outros Estados”, pontua Hand.
Mesmo com os problemas cotidianos, a Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo estima que nos próximos cinco anos a produção de frango de corte terá um crescimento de 100% e que a produção de postura comercial terá um incremento de cerca de 30% neste mesmo período. “A expectativa é que a atividade esteja preparada para concorrer no mercado nacional, oferecendo produtos de qualidade e competitivos”, conclui o secretário executivo da entidade.
Números- A Avicultura possui importante função econômica e social no Estado do Espírito Santo. Nos últimos anos, o setor pode ser considerado vital para o desenvolvimento e reestruturação do setor agrícola capixaba. Veja algumas informações que seguem mostram essa afirmativa (fonte: Aves):
Representatividade do setor no cenário nacional 2010:
a) Postura Comercial: 8,91 %
b) Frangos de Corte: 1,05 %
c) Incubação/Pintos: 1,3 %
Interessante ressaltar que, segundo dados preliminares de 2010, a produção de postura comercial no Estado do ES deverá ser próximo a 15% da produção nacional. Já a produção média mensal de frangos de corte está próxima a 5 milhões de aves.
Números de Produtores/Empresas (Associados à Aves):
•a) Postura Comercial: 181
•b) Frangos de Corte: 48
•c) Codorna: 11
•d) Abatedouros*: 07
•e) Incubatórios: 03
* Estruturas com Serviço de Inspeção Oficial , sendo uma totalmente direcionada para o abate de descartes de postura comercial e outra com capacidade parcial para abate desse tipo de ave.
Produção média mensal – 2010/2011:
•a) Ovos de mesa: 535.500 cx. c/ 30 dz.
•b) Frango Vivo: 4.900.000 cab.
•c) Abate*: 5.500 ton.
•d) Ovos de Codorna: 48.510 cx 50 dz.
•e) Pintos de corte: 5.850.000 cab.
* Com SIE e SIF
Destino dos produtos provenientes do setor 2010/2011:
•a) Postura Comercial:
•Ø Mercado interno: 48,5%
•Ø Rio de Janeiro: 38,5%
•Ø Minas Gerais: 5,6%
•Ø Bahia: 7,4%
•b) Frangos de Corte:
•Ø Mercado interno: 69,5%;
•Ø Rio de Janeiro: 23,8%;
•Ø Bahia: 1,7%;
•Ø Minas Gerais 5%;
Número de empregos gerados atividade 2009/2010:
- a) Diretos: 12.000;
- b) Indiretos: 10.000.
É importante ressaltar que, além desses, o setor contribui com emprego a mais de 85.000 pessoas em todo o Estado que trabalham na agricultura, principalmente os setores de fruticultura e hortifruticultura que utilizam-se enormemente do adubo orgânico produzido.
- v Faturamento Bruto * :
*conforme relatado em documentos como “Memória” de Inácio Acioli, lançado por volta do ano 1826.





















