Em meio à crise financeira global, o ritmo de recuperação dos países emergentes tem sido impressionante, afirma Ben Bernanke.
Força dos emergentes
Em meio à crise financeira global, o ritmo de recuperação dos países emergentes tem sido impressionante, afirmou hoje Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O discurso foi intitulado “Lições das economias emergentes sobre a fonte do crescimento sustentável” e foi realizado na Cleveland Clinic, em Cleveland, Ohio.
O presidente do Fed afirmou que as economias emergentes devem manter altas taxas de crescimento nos próximos anos, enquanto ainda tentam alcançar as economias avançadas. No entanto, com o tempo, devem se tornar mais ricas e sofisticadas e devem perder as vantagens de ter começado atrás dos países desenvolvidos.
Segundo ele, mesmo com a permanência das políticas econômicas, as taxas de crescimento devem diminuir, como resultado do progresso. Bernanke também disse que a dependência dos emergentes no comércio internacional se tornará um desafio, pois é preciso fortalecer o mercado interno também.
Citando aspectos que fizeram os países emergentes atingir esse crescimento nas últimas décadas, Bernanke afirmou que o ajuste fiscal e inflação baixa levam ao crescimento no longo prazo. O presidente do Fed citou o exemplo do Brasil, dizendo que o país teve superinflação de 1986 a 1994, com a inflação muitas vezes superando a marca de 500%, mas desde 2006 tem mantido uma média anual de 5%, juntamente com a redução do déficit no orçamento.
Bernanke também disse que a abertura econômica com regulação leva a um crescimento sustentável. Ele citou que medidas como a redução de tarifas e eliminação de outras formas de controle sobre exportação e importação têm sido uma estratégia chave para países emergentes, incluindo a China.
O presidente do Fed afirmou que para muitos países emergentes a demanda doméstica não é grande o suficiente para dar suporte a um aumento de produção que permita ganho de eficiência. Assim, o acesso ao mercado global permite a expansão de produção dos emergentes.
Bernanke afirmou que, nas últimas décadas, as economias emergentes atraíram muitos investimentos – pelo baixo custo da mão de obra – e elevaram o nível de vida de sua população, tirando milhões de pessoas da pobreza.
“Hoje, as economias emergentes são responsáveis por mais da metade da atividade econômica global, aumento substancial em relação a 1980, quando correspondia a menos de um terço”, disse.





















